IPCA de junho é menor, mas ainda preocupa, diz Bernardo

Segundo o ministro de Planejamento, governo tem consciência de que é preciso 'bater duro' na inflação

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

10 de julho de 2008 | 10h17

O ministro de Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, afirmou nesta quinta-feira, 10, que o governo tem consciência de que é preciso "bater duro" na inflação. Segundo ele, apesar da desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho, que caiu para 0,74% no mês passado ante alta de 0,79% em maio, a inflação ainda preocupa.   Veja também: De olho na inflação, preço por preço  Entenda os principais índices  Entenda a crise dos alimentos   Inflação pelo IPCA no 1º semestre é a maior em cinco anos 'Não é improvável' que inflação supere o teto da meta, diz IBGE   "A inflação virou assunto novamente e o IPCA veio um ''tiquinho'' menor do que em maio, mas ainda assim, preocupante", ressaltou o ministro durante palestra na Conferência "O Impacto do Brasil na Economia Global", promovida pela Sociedade Americana (Americas Society) e o Conselho das Américas (Council of the Americas) em conjunto com o Movimento Brasil Competitivo. Também em relação à inflação, Bernardo disse que o IPCA acumulado no período de 12 meses até junho, está em 6,06%, portanto, acima do centro da meta de inflação para 2008, de 4,5%, mas dentro da margem de tolerância, que vai até 6,5%, segundo determinação do Conselho Monetário Nacional (CMN). "Mesmo com o recrudescimento da inflação, o Brasil é um dos poucos países a conseguir manter a inflação na meta. Estamos resistindo, mas temos que apostar, fazer as coisas certas para que possamos resistir ainda mais." Para Bernardo, o presidente Lula tem deixado claro que a inflação é uma prioridade para o País. Ele ressaltou ainda que o governo manterá o foco também nas taxas de expansão da atividade. "Queremos manter a inflação controlada, mas com a economia crescendo", disse. Bernardo afirmou salientou que, nos últimos anos, houve crescimento de 20 milhões de pessoas na classe média e que, apesar de a economia brasileira mostrar expansão das exportações, o crescimento do País é puxado pelo mercado interno.   Alimentos   Para o ministro, o Brasil não pode ver a atual crise dos preços dos alimentos senão como uma grande oportunidade. "Estamos muito preocupados com isso e queremos que o Brasil se torne cada vez mais um grande produtor", disse, salientando que o atual cenário reforça o papel do País como grande exportador. "É algo natural (para o Brasil se tornar um produtor maior). É fácil fazer isso se fizermos as coisas certas."   A uma platéia formada em grande parte por estrangeiros, o ministro se disse muito otimista em relação ao futuro do País. Ele destacou que o Brasil passou "completamente ileso" pela questão da crise de crédito subprime no mercado hipotecário dos Estados Unidos, turbulência que se alastrou para os mercados financeiros de todo o mundo. "Quem diria que o Brasil iria passar por uma situação como esta desta forma?", questionou.   Crédito   Bernardo ressaltou ainda que a oferta de crédito no País vem crescendo aceleradamente nos últimos anos e que em 2007 atingiu 32% do PIB. "Na verdade, hoje estamos atuando para reduzir um pouco esta taxa", comentou acrescentando que o intuito do governo é o de continuar promovendo a expansão mas não em nível "explosivo" e que não se sustente.   O ministro afirmou que a missão do governo é a de manter os fundamentos macroeconômicos, promovendo políticas monetárias e fiscal severas, ajustes, inflação controlada e continuar a fazer investimentos. Neste ponto, ele destacou que acredita que os investimentos do País em 2008 devam continuar a crescer no mesmo ritmo dos últimos anos, em torno de 14%.   Para uma platéia formada em grande parte por estrangeiros, o ministro afirmou que é visível uma avaliação mais positiva do País por parte de quem vive fora do que quem mora no Brasil. "É difícil explicar o porquê disso. Certamente, avançamos muito, mas reconhecidamente temos muito caminho a percorrer", disse citando fragilidades no setor de segurança pública e deficiências no sistema de saúde e educacional.   Porém, o ministro se disse muito otimista em relação ao futuro do País. Ele destacou que o Brasil passou "completamente ileso" pela questão da crise de crédito no mercado hipotecário dos Estados Unidos, que se alastrou para os mercados financeiros de todo o mundo. "Quem diria que o Brasil iria passar por uma situação como esta desta forma?"

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