Marcos Santos/USP Imagens
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IPCA de maio desacelera para 0,13%, o menor resultado para o mês desde 2006

De acordo com o IBGE, em abril inflação foi de 0,57%; acumulado em 12 meses chega a 4,66%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2019 | 09h07

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou maio com alta de 0,13%, ante um avanço de 0,57% em abril, informou nesta sexta-feira, 7, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado é o menor para o mês desde 2006, quando subiu 0,10%, e veio exatamente no piso das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast. O teto do intervalo das estimativas ia até 0,33%, o que gerou uma mediana de 0,20%.

Considerando todos os meses, o IPCA de maio foi o mais baixo desde novembro de 2018, quando caiu 0,21%.

A taxa acumulada pela inflação no ano chega a 2,22% e o IPCA em 12 meses ficou em 4,66%, variação igual ao piso das projeções dos analistas, que iam até 4,86%. A partir desse intervalo, a mediana das previsões era de 4,72%.

Na avaliação de Pedro Kislanov da Costa, analista do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, ainda não há pressão de demanda sobre a inflação oficial no País. "O consumo das famílias tem uma recuperação lenta, gradual. A desocupação está com patamar bastante elevado, a massa de rendimentos está estável. Tem um cenário ainda de incertezas", lembrou Kislanov. 

"Tem uma desocupação ainda muito forte, endividamento das famílias, tem reposição das funções profissionais via informalidade. Isso não traz segurança para que as famílias possam fazer consumo, então isso acaba segurando um pouco o consumo das famílias", completou Fernando Gonçalves, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE. 

Quatro dos nove grupos que integram o IPCA registraram deflação em maio, segundo o IBGE. O impacto negativo mais intenso sobre a taxa de 0,13% registrada pelo IPCA do mês foi de Alimentação e bebidas (-0,56%). Os preços caíram também em Educação (-0,04%), Comunicação (-0,03%) e Artigos de residência (-0,10%).

Os avanços foram registrados em Habitação (0,98%), Saúde e cuidados pessoais (0,59%), Vestuário (0,34%), Transportes (0,07%) e Despesas pessoais (0,16%).

No grupo Saúde e cuidados pessoais, os remédios ainda subiram 0,82% em maio, enquanto os perfumes tiveram queda de 1,61%.

Desaceleração foi puxada por Alimentação e Bebidas 

A desaceleração da inflação na passagem de abril para maio foi puxada pela deflação no grupo Alimentação e Bebidas, segundo o IBGE.

Os gastos das famílias com alimentação passaram de alta de 0,63% no quarto mês do ano para queda de 0,56% em maio. A contribuição do grupo para a inflação saiu de 0,16 ponto porcentual para -0,14 ponto porcentual no período.

Os custos da Alimentação fora de Casa subiram apenas 0,03% em maio. Ao mesmo tempo, os alimentos para consumo no domicílio recuaram 0,89%. 

As famílias pagaram menos pelo tomate, que caiu 15,08%, após a alta de 28,64% em abril, e pelo feijão carioca, que acentuou a queda de 9,09% no quarto mês do ano para declínio de 13,04% em maio. As frutas (-2,87%) também recuaram mais intensamente do que em abril (-0,71%). 

Por outro lado, o leite longa vida (2,37%) e a cenoura (15,74%) subiram em maio, após apresentarem quedas (-0,30% e -0,07%, respectivamente) em abril.

Gasolina aumentou 2,60% 

Os combustíveis pesaram mais no bolso das famílias em maio, mas as passagens aéreas mais baratas evitaram uma alta maior no gasto com transportes

O grupo Transportes saiu de uma elevação de 0,94% em abril para um aumento de 0,07% em maio. 

A gasolina ficou 2,60% mais cara em maio, item de maior impacto individual no IPCA, uma contribuição de 0,11 ponto porcentual. Houve alta no preço em todas as regiões pesquisadas, desde um aumento de 0,50% na região metropolitana de Porto Alegre até 7,17% no município de Goiânia

Por outro lado, as passagens aéreas passaram de uma alta de 5,32% em abril para uma queda de 21,82% em maio, o maior impacto individual negativo no mês, -0,10 ponto porcentual. "Eu olhei a série histórica, é comum queda de passagens aéreas no mês de maio. Cai todos os meses de maio", ressaltou Pedro Kislanov da Costa, analista do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

O preço do etanol caiu 0,44% em maio, enquanto o óleo diesel aumentou 2,16%.Os ônibus intermunicipais subiram 0,45%, em função de reajustes em Fortaleza e Salvador. O ônibus urbano aumentou 0,18%, devido a reajustes em Goiânia e Salvador. O metrô ficou 0,17% mais caro, devido ao reajuste no Rio de Janeiro.

Energia elétrica tem alta de 2,18% 

 A tarifa de energia elétrica teve uma alta de 2,18% em maio. O item deu a segunda maior contribuição para a inflação do mês, 0,08 ponto porcentual, atrás apenas da gasolina (0,11 ponto porcentual).

"O IPCA teria sido de 0,05% se não tivesse energia elétrica", informou o analista do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

Houve impacto de reajustes de tarifas em sete regiões pesquisadas: Rio de Janeiro, Campo Grande, Aracaju, Salvador, Fortaleza, Recife e Belo Horizonte.

Além disso, a bandeira tarifária verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz, foi substituída em maio pela bandeira amarela, com custo adicional de R$ 0,01 para cada quilowatt-hora consumido. 

Habitação foi o grupo de maior impacto no IPCA

Os gastos das famílias com Habitação subiram 0,98% em maio, grupo de maior impacto no IPCA, uma contribuição de 0,15 ponto porcentual.

A taxa de água e esgoto subiu 0,82%, com reajustes em São Paulo e Brasília. O gás de botijão teve alta de 1,35%, devido ao reajuste médio de 3,43% autorizado pela Petrobrás nas refinarias a partir de 5 de maio.

Já o gás encanado ficou 0,84% mais barato, devido à redução média de 1,40% nas tarifas residenciais da região metropolitana do Rio de Janeiro desde 1º de maio.

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