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IPCA desacelera em novembro e fica abaixo das estimativas

Índice oficial sobe 0,36% no mês ante 0,45% em outubro; alimentos registram alta menos intensa, de 0,61%

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

05 de dezembro de 2008 | 09h06

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,36% em novembro, ante 0,45% em outubro, segundo divulgou nesta sexta-feira, 5, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio bem abaixo do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (0,45% a 0,55%) e da mediana de 0,50%. No ano, o IPCA acumula alta de 5,61% e em 12 meses, de 6,39%. Em novembro de 2007, a taxa havia sido de 0,38%.   Veja também: Inflação não ficará no centro da meta em 2009, dizem analistas Refeição fora de casa é a vilã da inflação em 2008 Entenda os principais índices Entenda a disparada do dólar e seus efeitos   O IPCA é o índice utilizado pelo Conselho Monetário Nacional para calcular a meta de inflação para o Brasil a cada ano. Atualmente, o Banco Central persegue uma meta de inflação de 4,5%, com margem de variação de 2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo.   Os produtos alimentícios subiram 0,61% no IPCA de novembro, ante 0,69% em outubro. Já os não alimentícios registraram alta de 0,29% em novembro, ante 0,38% em outubro. Nos alimentos, houve queda de preços em produtos importantes nas despesas das famílias, como feijão carioca (-14,60%), cebola (-11,58%), cenoura (-14,94%), ovos (-4,12%) e óleo de soja (-3,38%).   Segundo a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, houve um "recuo generalizado" nos preços no IPCA de novembro, em relação aos apurados em outubro. De acordo com ela, o grupo dos alimentos passou de uma contribuição de 0,16 ponto porcentual na taxa de outubro para 0,14 ponto em novembro, enquanto os não alimentícios reduziram sua participação de 0,29 ponto para 0,22 ponto de um mês para o outro.   Eulina destacou que, apesar da desaceleração ou queda de preços de um mês para o outro, os alimentos já acumulam alta de 10,71% de janeiro a novembro de 2008, respondendo por 2,22 ponto porcentual, ou 42% da inflação acumulada no período (5,61%).   Dólar   Os resultados do IPCA de novembro não mostram influência significativa de pressão da alta do dólar sobre a inflação, segundo Eulina. De acordo com ela, ainda que alguns itens que mantêm alguma relação com o dólar tenham subido, como microcomputadores, o peso desses artigos é pequeno no índice. "Não dá para dizer ainda se a pressão do dólar sobre os preços já foi evidenciada ou se será (no futuro). Ao mesmo tempo que o dólar sobe, os preços das commodities (matérias-primas) estão caindo, então o efeito no mercado interno é de não haver forte alta nos alimentos", disse.Os efeitos do dólar ocorreram mais claramente, segundo Eulina, apenas em artigos como microcomputadores (que passaram de queda de 1,92% em outubro para alta de 1,78% em novembro) e eletrodomésticos (de -0,28% em outubro para +0,32%), mas mesmo nesses casos não é possível antever se a pressão de alta vai prosseguir nos próximos meses.Segundo Eulina, exemplo de que o dólar ainda não influenciou a inflação de forma significativa está na lista de reajustes dos alimentos. Segundo ela, a alta de produtos como carne (2,53% em novembro) e tomate (20,87%) está relacionada a condições de mercado ou climáticas, mas não ao dólar. Por outro lado, produtos com influência forte do dólar, como óleo de soja (-1,68%) , mostraram queda de preços no mês.A coordenadora de índices de preços do IBGE observou que o atual choque cambial não teve, pelo menos por enquanto, a mesma influência de alta sobre a inflação como ocorreu em choques anteriores, porque "hoje o momento é outro, é uma situação muito diferente". Como exemplo dessa mudança ela citou os automóveis usados, cujos preços caíram 2,61% em novembro, por causa das promoções realizadas em conseqüência do recuo da demanda. Eulina citou ainda como exemplo a queda nos preços das commodities, que estão impedindo o repasse da alta do dólar para os alimentos.   Dezembro Ainda de acordo com Eulina, a única influência já conhecida para o IPCA de dezembro é o reajuste da tarifa de ônibus no Rio de Janeiro, a vigorar a partir de amanhã. No que diz respeito aos efeitos do dólar, ela disse que não há como saber se estarão mais claros no índice de dezembro, ao contrário do que ocorreu em novembro.   Baixa renda   O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para a camada de renda mais baixa da população, ficou em 0,38% em novembro, ante 0,50% em outubro, acumulando alta de 6,17% e em 12 meses, de 7,20%.     

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