IPCA deve desacelerar mais em julho com transporte e alimentação

A alta recente do dólar, contudo, causa temor por causa dos possíveis efeitos na inflação

Renan Carreira e Gustavo Porto, da Agência Estado,

05 de julho de 2013 | 13h40

SÃO PAULO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve desacelerar em julho por duas razões, de acordo com consultorias ouvidas pelo Broadcast: a sequência do alívio do grupo Alimentação e a deflação do grupo Transportes. Se o resultado for confirmado, ele se soma de maneira favorável ao IPCA de junho, considerado como uma "surpresa positiva" pelos analistas de mercado. No entanto, a recente desvalorização cambial causa temor sobre possíveis efeitos na inflação.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (5) uma alta de 0,26% no IPCA medido em junho. O resultado surpreendeu por ter ficado abaixo do piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, de 0,29% a 0,38%, com mediana de 0,33%.

O economista da LCA Fábio Romão e o economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), Flávio Serrano, destacaram no indicador a desaceleração de 0,46% em maio para 0,12% do item Artigos de Residência. Serrano também citou também a alta de apenas 0,03% no item Produtos Farmacêuticos e Óticos.

Para julho, Romão disse que a revogação do aumento das tarifas de transporte público - medida tomada por governantes em diversas capitais brasileiras após a onda de manifestações que se espalhou pelo País -, a tendência de queda nos preços do etanol e da gasolina e o cancelamento do reajuste dos pedágios em São Paulo vão fazer com que o grupo Transportes registre deflação.

"Além disso, a passagem aérea, que vinha de uma série de quatro meses de deflação e voltou a ter alta em junho, provavelmente por conta da Copa das Confederações, pode voltar a ter deflação em julho", afirmou Romão. Ele também disse que o grupo Habitação sofrerá um impacto menor dos reajustes em julho por causa do aumento de apenas 0,28% na tarifa de energia da Eletropaulo autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Diante disso, a LCA estima alta de 0,09% para a inflação de julho, também contando com menor pressão do grupo Alimentação. Se a projeção for confirmada, o IPCA acumulado em 12 meses ficaria em 6,34% e voltaria a ficar dentro da margem com a qual trabalha o Banco Central (BC). O centro da meta da instituição é 4,5%, com tolerância de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, a inflação deve ficar na faixa de 0,05% a 0,10% em julho. "Se o índice em julho ficar em 0,07%, em uma média entre 0,05% e 0,10%, o IPCA em 12 meses ficará em 6,30%", disse ele.

Quem também acredita na desaceleração da inflação é Serrano, do Besi Brasil. Para ele, o IPCA deve subir 0,25% em julho, com mais chance de o índice se aproximar de 0,20% que de 0,30%. Além de citar Alimentação e Transportes, Serrano disse que o grupo Vestuário conta com uma "sazonalidade favorável" em julho.

Apesar do otimismo com o IPCA, tanto Leal quanto Serrano acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto porcentual ao reunir-se na próxima semana. Para eles, a inflação ainda preocupa. "Trabalho com inflação perto de 6% este ano e no próximo", disse Serrano.

Câmbio. Nem tudo são flores, no entanto, nesse cenário de projeção positiva. Juan Jensen, sócio da Tendências Consultoria Integrada, levantou o temor dos efeitos da desvalorização cambial sobre a inflação. Segundo ele, se o dólar estabilizar em torno de R$ 2,25, ante os R$ 2 de alguns meses atrás, o impacto direto dos 12,5% de alta da moeda americana será de 0,63 ponto no IPCA de 2013.

Jensen disse que a variação cambial já traz efeitos nos preços do atacado, mas ainda não são sentidos nos varejo. "Os IGPs (índices gerais de preços) têm mostrado variação mais alta e causam dúvida e preocupação. O movimento de perda do valor do real foi significativo e requer cuidado adicional nos próximos meses."

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