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IPCA deve voltar a ultrapassar o teto da meta neste mês

Em maio, índice desacelerou e ficou em 0,37%, mas, em 12 meses, atingiu o limite da meta, de 6,5%, e deve superar esse teto em junho

FERNANDA NUNES / RIO, BEATRIZ BULLA / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2013 | 02h04

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês de maio em 0,37%, abaixo das estimativas de analistas. Mas, no acumulado em 12 meses, atingiu o teto da meta, fixado em 6,5% ao ano, e deve ultrapassar esse limite em junho - por questões metodológicas e pelos reajustes de preços administrados, principalmente passagens de ônibus em São Paulo e no Rio.

"O IPCA acumulado em 12 meses deve continuar oscilando perto do teto da meta, ora acima ora abaixo, criando algum desconforto, conforme citado na ata da última reunião do Copom", afirmam os economistas do Banco Fator José Francisco de Lima Gonçalves e Helcio Takeda.

A questão metodológica é explicada pelo período a que corresponderão os 12 meses. No cálculo do acumulado em junho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) terá de considerar a taxa de julho do ano passado, de 0,43%, bem maior do que a usada para os 12 meses encerrados em maio (a alta de 0,08% de junho de 2012). Esse movimento, por si só, permite prever que a meta será extrapolada. Mas as indicações de que a taxa vai superar o teto não param por aí.

No cálculo do IPCA de junho, o instituto prevê, além das contribuições das tarifas de ônibus urbano no Rio (7,27%) e São Paulo (6,75%), aumentos igualmente fortes nas tarifas de água e esgoto em Belo Horizonte (5,25%) e Fortaleza (8,51%); e de trem em São Paulo (6,75).

"Os analistas não enxergam, nem em um horizonte gigantesco, em termos de projeções, a inflação voltando para o centro da meta, e é sobre isso que o BC está atuando", ressaltou a economista da Rosenberg & Associados, Priscila Godoy.

Alimentos. Em oposição aos serviços administrados, os alimentos devem ajudar a conter a inflação deste mês, comportamento já iniciado no mês anterior. Em maio, o grupo de alimentos e bebidas teve alta menos intensa que a de abril, revertendo a trajetória que marcou a inflação nos últimos meses, em que produtos como o tomate foram considerados os vilões dos orçamentos das famílias.

Desta vez, foi exatamente o tomate o item que mais contribuiu para a desaceleração do IPCA de 0,55% para 0,37%. O preço do alimento caiu 10,31%, enquanto os remédios, por causa de reajustes autorizados em 31 de março, foram o item que mais pressionou a inflação no mês passado, com alta de 1,61%.

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