IPCA fecha 2006 em 3,14%, o menor resultado desde 1998

A inflação no País fechou o ano de 2006 com sua menor taxa desde 1998. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo acumulou alta de 3,14% ao longo do ano passado, resultado bem abaixo do centro da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e da taxa de 2005 (5,69%). O resultado veio dentro das previsões dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, entre 3,05% e 3,16%, e levemente acima da mediana esperada, de 3,10%. O ano de 2006 consolidou "de fato uma situação de desindexação" de preços no País, segundo avalia a coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela divulgação do índice, Eulina Nunes dos Santos. Para ela, mais importante do que o IPCA de 2006 ter sido o menor desde 1998 é o forte recuo que ocorreu na taxa em comparação a 2002 (12,53%), ano que marcou um perigoso avanço na inflação brasileira, após ter sido domada pelo Plano Real.Eulina sublinhou que a safra agrícola de 116,6 milhões de toneladas, o câmbio e os reajustes baixos ou inexistentes dos preços administrados contribuíram para conter a inflação no ano passado.A safra permitiu um aumento acumulado de apenas 1,22% nos preços dos produtos alimentícios em 2006, a menor variação desse grupo na série do IPCA no Plano Real (desde 1994), equivalente apenas à variação nesse grupo apresentada em 1997, que também foi de 1,22%.O câmbio também contribuiu para manter os preços dos alimentos controlados e manteve reduzido também o IPCA de itens como artigos de limpeza (-2,29%) e aparelhos de TV, som e informática (-12,07%).No caso dos administrados, houve queda de 0,83% na inflação da telefonia fixa, fato inédito desde o início do Plano Real. A energia elétrica também registrou praticamente uma estabilidade de preços (0,28%) em 2006. Os combustíveis, com alta de 2,3% em 2006, também contribuíram para conter a inflação no ano, segundo observou Eulina. As maiores pressões de alta para a inflação no ano foram dadas por planos de saúde (12,3%), colégios (6,79%), tarifas dos ônibus urbanos (8,11%) e salários dos empregados domésticos (10,73%). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação nos preços para famílias com rendas entre 1 e 8 salários mínimos, acumulou alta de 2,81% no ano passado ante 5,05% em 2005. DezembroEm dezembro, o IPCA registrou variação de 0,48%, ante 0,31% em novembro. O índice veio dentro das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (0,39% a 0,50%), mas superou a mediana projetada de 0,45%. A alta na inflação medida pelo IPCA de novembro (0,31%) para dezembro (0,48%) foi provocada especialmente pela Região Metropolitana de São Paulo, que tem peso de 33% no índice e registrou inflação de 0,92% em dezembro. O aumento na taxa paulista ocorreu por causa da concentração de reajustes nos ônibus urbanos e intermunicipais, táxis e metrô no final do ano. Além dos transportes em São Paulo, o IPCA de dezembro sofreu impacto também dos transportes no Rio de Janeiro e do aumento dos preços no grupo de vestuário em todas as regiões metropolitanas pesquisadas. Outras contribuições de alta no mês foram dadas por condomínio (0,81%) e cigarro (1,88%). Os Alimentos registraram variação de 0,39% em dezembro, inferior a alta de 1,05% de novembro. O INPC ficou em 0,62% em dezembro ante 0,42% em novembro.2007O aumento nos preços do álcool será um dos principais impactos de alta no IPCA de janeiro. Porém, o efeito será menos intenso na inflação de 2007 do que no ano passado, já que, com a mudança de metodologia do IPCA a partir de julho de 2006, o peso do álcool na taxa caiu de 1,08% para 0,38%, segundo observou a coordenadora do IBGE.Eulina ressaltou que a taxa de dezembro do IPCA (0,48%) não mostrou impacto do álcool, mas com certeza haverá pressão desse item em janeiro.Outros impactos de alta para a taxa de janeiro serão dados pelos alimentos in natura, que vêm sendo prejudicados pelas fortes chuvas e pelas commodities agrícolas, cujos preços estão em elevação. Outras pressões serão dadas, ainda, pelo reajuste de ônibus urbanos na Região Metropolitana de Belo Horizonte e os resíduos das altas do grupo de transportes no Rio de Janeiro e em São Paulo. Eulina acredita que mesmo que o comportamento dos preços seja diferente, em 2007, do que o registrado em 2006, "haverá neste ano uma continuidade do que vem ocorrendo nos anos passados, com tendência de convergência para números cada vez menores". Segundo ela, o comportamento atual dos preços atende "à própria essência das metas de inflação", que é a convergência para patamares mais baixos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.