Dida Sampaio/ Estadão - 10/9/2021
Dida Sampaio/ Estadão - 10/9/2021

Inflação acelera, chega a 10,54% em 12 meses e projeções para o ano pioram

Resultado em fevereiro foi de 1,01%, o mais alto para o mês desde 2015, puxado pelas mensalidades escolares e pelos alimentos

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2022 | 09h13
Atualizado 11 de março de 2022 | 15h33

RIO - Pressionada pelos reajustes de mensalidades escolares e pelo encarecimento dos alimentos, a inflação oficial no País acelerou a 1,01% em fevereiro, quase o dobro da taxa de 0,54% registrada em janeiro, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados nesta sexta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado foi o mais elevado para meses de fevereiro desde 2015. A inflação acumulada em 12 meses subiu a 10,54%, ante uma meta de 3,5% perseguida pelo Banco Central este ano.

 

O banco americano Goldman Sachs espera que a inflação em 12 meses permaneça acima de 10% ao longo de todo o primeiro semestre deste ano.

"O recente aumento dos preços de combustíveis e gás de cozinha e um choque de commodities de base ampla e provavelmente persistente deve intensificar as já altas pressões de curto prazo sobre a inflação", escreveu o diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em relatório.

O pico da inflação em 12 meses pode ocorrer em abril, com uma taxa entre 11,0% e 11,5%, estimou o economista-chefe da gestora de recursos Santander Asset Management, Eduardo Jarra. O economista aumentou sua previsão de inflação para este ano, de 5,9% para 6,5%, e para o próximo, de 3,7% para 4,0%.

A revisão do cenário inflacionário elevou também a expectativa do economista para a taxa básica de juros, a Selic, que agora deve alcançar 13,0% ao fim do ciclo de aumentos, ante uma projeção anterior de 12,25%. Jarra prevê que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumente em 1,0 ponto porcentual a taxa de juros na reunião da semana que vem, seguida por elevações de 0,75 ponto em maio e 0,5 ponto em junho.

"Não é totalmente certa essa alta de 1,0 ponto. Algumas semanas atrás, eu estava mais confiante, mas com a piora recente do (cenário) global e esse qualitativo de inflação, a chance de o BC trazer um número um pouco acima disso não pode ser descartada", ressaltou o economista do Santander Asset Management.

Em fevereiro, todas as nove classes de despesas que integram o IPCA registraram alta de preços. Os gastos com educação subiram 5,61%, mas também houve forte pressão da alta de 1,28% no custo da alimentação, impactada por problemas climáticos que prejudicaram diferentes lavouras. A batata-inglesa subiu 23,49%, enquanto a cenoura aumentou 55,41%.

Os aumentos permanecem bastante disseminados na economia como um todo: 75% dos produtos e serviços investigados pelo IBGE ficaram mais caros em fevereiro.

As perspectivas não são favoráveis, diante do megarreajuste nos combustíveis nas refinarias. As elevações nos preços de combustíveis costumam se espalhar por outros produtos e serviços da economia, contaminando a inflação como um todo, declarou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE.

“É um impacto que não fica localizado nos combustíveis, mas sim fica disseminado em outros componentes”, disse Kislanov. “Quando você tem uma alta tanto da gasolina quanto do diesel, você acaba tendo um efeito disseminado na economia como um todo, como frete, serviços. Acaba impactando os preços dos bens e serviços que compõem o IPCA”, completou.

A Petrobras divulgou nesta quinta-feira, 10, um reajuste nas refinarias, a partir desta sexta, de 24,9% no preço do óleo diesel, de 18,7% da gasolina e de 16% do gás de botijão. Após o anúncio, o economista Fabio Romão, da LCA Consultores, elevou sua projeção de alta para o IPCA de 2022, de 6,0% para 6,5%. O economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, reviu sua previsão para a inflação de 5,5% para 6%. O banco britânico Barclays elevou nesta sexta-feira sua projeção, de 5,8% para 6,2%, enquanto o Banco Fibra subiu de 6,2% para 7,1%.

“É muito provável que a gente vá ter impacto desse aumento dos combustíveis no IPCA (de março)”, disse Kislanov. “Mas a gente tem que aguardar pra ver o quanto vai ser essa alta”, ponderou o pesquisador, acrescentando que o reajuste nas refinarias não significa que chegue na mesma magnitude às bombas de postos de gasolina em diferentes regiões do País.

A gasolina é o item de maior peso no IPCA, 6,47%. O etanol tem participação direta de 0,93% no orçamento das famílias; o óleo diesel, 0,25%; o gás veicular, 0,08%; e o gás de botijão, 1,37%.

“De fato, quando você tem uma alta no preço dos combustíveis isso afeta outros setores, leva a um aumento de outros produtos e serviços que compõem o IPCA”, reafirmou Kislanov.

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