IPCA indica que efeitos do câmbio chegaram ao consumidor, diz IBGE

A alta do dólar foi responsável por mais de dois terços, ou 0,50 ponto porcentual, da inflação de 0,65% registrada pelo IPCA em agosto. A gerente do Sistema de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, disse que "os efeitos do câmbio chegaram ao consumidor". O dólar fez com que os produtos alimentícios apresentassem no mês a maior alta (1,94%) desde agosto de 2000 (quando haviam aumentado 2,07%). Do total de 0,42 ponto porcentual da contribuição dos produtos alimentícios para a inflação de agosto, quase a totalidade, ou 0,386 ponto porcentual, foram efeito do dólar. Além dos alimentos, houve influência do câmbio também sobre as tarifas de energia elétrica (1,11%), tarifas aéreas (7,09%), pneu e câmara de ar (3,02%), tratamento dentário (1,44%) e artigos de limpeza (1,03%). Eulina disse que não há como saber se o câmbio manterá o impacto sobre a inflação em setembro. "A gente ainda não sabe se os repasses chegaram ao pico", afirmou. Baixa renda é mais atingida Os efeitos do dólar sobre os preços não apenas chegaram com força à mesa dos consumidores brasileiros em agosto, como foram ainda maiores para os que têm menor renda. A inflação medida pelo INPC em agosto atingiu 0,86%, maior do que o IPCA do mês (0,65%) porque o peso dos produtos alimentícios, que subiram sob impacto do câmbio, é muito maior no índice. O INPC se refere às famílias com rendimento entre um e oito salários mínimos, enquanto o IPCA tem como referência renda entre um e 40 mínimos. Os alimentos que subiram em função do dólar tiveram contribuição de 0,66 ponto porcentual no INPC e de 0,42 ponto porcentual no IPCA. O pão francês, que influenciado pela alta do trigo provocada pelo dólar apresentou a maior contribuição individual no mês (0,14 ponto porcentual, com alta de 9,7%) no IPCA, teve aumento ainda maior (10,17%) na inflação medida pelo INPC, com contribuição de 0,22 ponto porcentual. "São produtos com peso muito elevado na inflação medida junto à população de renda menor", explicou Eulina Nunes dos Santos. Gás e gasolina contribuíram para conter alta O gás de cozinha e a gasolina contribuíram para conter a alta do IPCA (0,65%) em agosto, segundo destacou Eulina Nunes dos Santos. O gás de cozinha apresentou redução de 3,11% no mês, sob efeito da queda de 12,4% nas refinarias a partir de 14 de agosto. Em julho, o produto havia apresentado alta de 4,42%. No caso da gasolina, houve queda de 1,39% nos preços, segundo Eulina, em conseqüência de uma "acomodação nos reajustes" do produto, que havia apresentado alta de 2,87% em julho. Com a queda em agosto, o gás de cozinha reduziu a alta acumulada no ano de 38,26% até julho para 33,96% até agosto. A gasolina acumula queda de 1,61% no ano até agosto.

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