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IPCA mais que dobra por causa dos cigarros

Taxa sobe de 0,20% em março para 0,48% em abril, mas, segundo analistas, a alta é pontual e se deve a reajustes de cigarros e remédios

Jacqueline Farid, RIO, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,48% em abril, mais que o dobro da variação de 0,20% apurada em março. A principal pressão de alta na taxa foi dada pelos cigarros, mas houve também reajustes em roupas, remédios e energia elétrica. Apenas oito itens foram responsáveis por quase a totalidade (0,43 ponto porcentual) do índice no mês.No ano, o IPCA acumula alta de 1,72% e em 12 meses, de 5,53%. A meta de inflação estabelecida pelo Banco Central para 2009 é de 4,5%. A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, disse que os reajustes "foram pontuais e concentrados". Os itens que concentraram os reajustes são cigarros (14,71% e 0,13 ponto porcentual de contribuição, a maior entre os produtos pesquisados), remédios (2,89%), empregado doméstico (1,83%), batata inglesa (18,57%), leite pasteurizado (3,12%), refeição fora de casa (0,62%) e gás de cozinha (2,41%).As recentes mudanças no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros e cigarros tiveram reflexos diferenciados no IPCA. Enquanto o aumento de 23,5% do IPI dos cigarros ajudaram a pressionar os preços - a medida entrou em vigor somente a partir de maio, mas já houve reajustes em algumas marcas em abril -, o recuo no imposto sobre veículos automotores a partir de dezembro do ano passado levou a uma queda em automóveis novos (-0,47%) e usados (-1,62%), ajudando a conter a inflação. Eulina observou que o perfil da inflação em 2009 é bem diferente do ano passado, com pressão menor dos alimentos. Segundo ela, "a demanda menos aquecida e a atividade econômica mais retraída" determinaram o desempenho da inflação de janeiro a abril deste ano. Os produtos alimentícios desaceleraram a alta, em abril, para 0,15%, a metade do aumento de 0,30% observado em março. O grupo dos não alimentícios, por outro lado, acelerou os reajustes de 0,17% para 0,58% de um mês para o outro. O analista da Tendências Consultoria Gian Barbosa também avalia que as pressões sobre a inflação em abril foram "sazonais e pontuais" e acredita que a taxa deve começar a recuar a partir de maio. Em relatório, economista da LCA Consultores destacam a elevação "altamente concentrada" da inflação de abril. A expectativa é que, em maio, o índice fique novamente em nível similar ao de abril. Eulina adiantou que o mês de maio será marcado por uma concentração de reajustes de preços administrados.Os destaques de pressão já conhecidos para o mês são os reajustes de energia elétrica em capitais como Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador, além de aumentos de ônibus urbano em Goiânia e do metrô no Rio de Janeiro. Haverá ainda, segundo ela, alguns resquícios dos reajustes dos cigarros.

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