André Dusek/Estadão
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Mercado reduz projeção para a inflação, mas vê Selic estável em 2016

Estimativa para o IPCA passou de 7,59% para 7,46%, mas analistas ainda continuam a prever os juros em 14,25% até o final do ano; perspectiva para a queda do PIB foi ampliada para 3,54%  

Bernado Caram, O Estado de S. Paulo

14 de março de 2016 | 09h12

BRASÍLIA - O mercado financeiro fez, na última semana, um movimento de revisão para baixo das expectativas de inflação. A mediana das projeções para o IPCA de 2016 teve uma queda no Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira pelo Banco Central. Agora, a taxa está em 7,46%, ante 7,59% da semana passada e de 7,61% de quatro semanas atrás.

O Banco Central já vem informando que vai focar, não mais 2016, mas em 2017 na tarefa de levar a inflação para o centro da meta (de 4,50%). No caso do ano que vem, a mediana permaneceu em 6,00%, mesmo patamar registrado há quatro edições do documento.

No Top 5 de 2016, o ponto central da pesquisa ficou em 7,69%, contra 7,95% da última semana. Há quatro semanas essa mediana estava em 8,13%. Para 2017, o grupo dos analistas que costumam acertar mais as estimativas manteve a perspectiva para o IPCA em 6,50%. Quatro edições atrás a taxa estava em 6,40%.

Apesar de ter aumentado a corrente dos analistas que dizem esperar uma queda da Selic ainda este ano, o mercado financeiro continua a prever um corte da taxa básica de juros apenas em janeiro de 2017. Segundo o Relatório Focus, não houve alteração em relação ao prognóstico feito uma semana antes. De acordo com o levantamento, os juros vão se manter nos atuais 14,25% ao ano ao longo de todo 2016. A redução de janeiro também segue na mesma magnitude, de 0,50 ponto porcentual, para 13,75% ao ano.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado manteve a Selic inalterada, mas com dois votos dissidentes de alta (0,50 pp). Para o ano que vem, o mercado espera que a taxa Selic termine o período em 12,50% ao ano, mesma taxa apontada na última semana. 

A mudança que foi vista de uma semana para outra é no mês de abril do ano que vem. No lugar de uma taxa de 13,13% - que já apontava uma divisão das apostas, agora aparece o porcentual de 13,00%. Para julho de 2017, o dissenso da semana passada (12,88%) também tomou o rumo de uma taxa menor: 12,75% ao ano. Para setembro, no lugar da mediana de 12,50%, o mercado aponta agora para 12,13%, o que indica que novas revisões para baixo podem ocorrer para esse mês nas próximas semanas.

PIB. Em relação à atividade econômica, os analistas revisaram mais uma vez para baixo suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2016. A perspectiva de retração da atividade neste ano passou de 3,50% para 3,54%. Há um mês, a mediana das projeções estava em 3,33%. Para 2017, a previsão de crescimento do PIB permaneceu em 0,5%.

Já a mediana das expectativas para a produção industrial de 2016 saiu de -4,5% para -4,45%. Para 2017, passou de 0,57% para 0,50%. 

No caso da relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB de 2016, a projeção dos analistas passou de 41,05% para 41,00% - quatro edições antes estava em 40,70%. Para 2017, a taxa foi passou de 45,20% para 45,00% - um mês antes estava em 44,00%.

Para o superávit comercial, o relatório revelou que as estimativas dos analistas para a balança comercial de 2016 passaram de US$ 39,85 bilhões para US$ 41,20 bilhões. Quatro boletins atrás, estava em US$ 36,10 bilhões. 

Câmbio. Já as previsões para o dólar foram revisadas para baixo: a moeda deve chegar em 31 de dezembro comercializada a R$ 4,25, contra os R$ 4,30 estimados no levantamento da semana passada. Um mês antes, a mediana das previsões estava em R$ 4,38. Para o encerramento de 2017, a mediana das estimativas para o dólar caiu de R$ 4,40 para R$ 4,34.


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