IPCA pode encerrar o ano com um dígito apenas

Os dados relacionados ao comportamento da inflação andam tão positivos que agora parte dos economistas já não descarta a possibilidade de o IPCA encerrar o ano de 2003 com apenas um dígito. "Ainda vai correr muita água embaixo dessa ponte, mas eu não descartaria essa possibilidade", afirma o economista chefe do Unibanco, Alexandre Schwartsman, que trabalha com um cenário alternativo - "alternativo, ressalte-se" - de IPCA chegando aos 9,5% este ano. "Os sinais têm sido muito bons no campo da inflação, inclusive nos núcleos dos índices". A deflação maior que a esperada no IPCA-15 reforçou essa percepção. A queda de 0,18% no indicador prévio provocou uma onda de revisões significativas para baixo para o IPCA fechado de julho, justamente o mês que concentra os impactos dos aumentos de energia elétrica e telefonia. Mais do que do desaperto da política monetária - alguns bancos apostavam em uma queda até maior da Selic por conta do IPCA-15 - isso dependerá bastante do câmbio, afirmam os analistas. Para Schwartsman, por exemplo, a pequena depreciação que o mercado projeta para os próximos meses não teria grandes efeitos sobre os bens comercializáveis, uma vez que o movimento de apreciação cambial recente não se refletiu na mesma intensidade em queda dos preços. Por outro lado, poderia trazer impacto em segmentos importantes para a inflação, caso dos combustíveis. Pela pesquisa semanal do BC, o mercado estima uma taxa de câmbio de R$ 3,20 para o final do ano. O economista Fábio Akira, do JP Morgan, reforça que um dígito para o IPCA não é impossível. Se por um lado há a política monetária, cuja tendência de desaperto joga contra essa possibilidade, por outro uma eventual estabilidade para o câmbio poderia consolidar uma inflação de um dígito, diz ele. "É preciso lembrar que as projeções de inflação de 10,62% ao ano levam em conta um câmbio na ponta de R$ 3,20", comenta Akira, destacando também a importância de possíveis novas definições ou julgamentos sobre os preços administrados (sobretudo nas tarifas de telefonia) até o final do ano. Um dígito de inflação, vale lembrar, estaria muito próximo dos 8,5% de meta ajustada definidos pelo Banco Central para 2003. Se há poucos meses era um número considerado impossível, hoje é apenas improvável.

Agencia Estado,

27 Julho 2003 | 08h48

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