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IPCA ressalta diferenças entre Mantega e Meirelles

Enquanto o ministro vê resultado como ?espaço importante para reduzir juros?, presidente do BC destaca o cumprimento da meta de inflação

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2009 | 00h00

A divulgação da inflação de 2008 realçou as diferenças de enfoque adotadas pelos os dois principais nomes da equipe econômica. De um lado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, entende que os números do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abrem caminho para a mudança da política monetária, com "espaço importante para a redução dos juros". Já o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, preferiu destacar que o "cumprimento da meta de inflação nos últimos cinco anos mostra que o BC está no caminho certo". Durante a entrevista sobre a compra de parte do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil, Mantega disse ter ficado muito satisfeito com os números do IPCA. No ano passado, o índice oficial de inflação subiu 5,90% - acima do centro da meta de 4,50%, mas abaixo do teto de 6,50%. Ele lembrou que a meta foi cumprida mesmo após o Brasil ter sofrido uma alta dos preços de commodities, como o petróleo e a soja, no primeiro semestre, e a crise global. O elogio, porém, foi seguido por uma cobrança. O ministro entende que a queda da inflação em dezembro "abre um espaço importante para a redução dos juros". Para ele, há um movimento generalizado de redução das taxas no mundo todo em reação ao quadro econômico desfavorável. Mantega citou o caso do BC da Inglaterra, conhecido pelo conservadorismo, que cortou o juro para o nível mais baixo em três séculos. "É normal, natural e necessário que o Brasil reduza os juros." Ao ser questionado se os cortes deveriam começar ainda este mês, na reunião do dia 21 do Copom, Mantega foi evasivo. "Isso é um assunto do Banco Central." O presidente do BC, por sua vez, reafirmou a estratégia adotada pela instituição e os benefícios da estabilidade de preços. "A política monetária adotada pelo Banco Central é adequada para preservar o poder de compra da população e a manutenção do ganho real dos salários. Estes são os principais dividendos da estabilidade", destacou Meirelles, na nota. Com o resultado apresentado ontem, o presidente do BC quis mostrar que, a despeito da crítica de conservadorismo em excesso feita por analistas e boa parte do governo, a instituição tem tido sucesso na condução da política monetária. "O cumprimento da meta de inflação nos últimos cinco anos mostra que o Banco Central está no caminho certo", disse Meirelles, em nota. Desde que o Brasil adotou as metas, há dez anos, a inflação não foi cumprida em apenas três anos: 2001, 2002 e 2003. Desde quando assumiu o BC, em 2003, Meirelles não conseguiu entregar a inflação dentro da meta apenas no primeiro ano de sua gestão. Naquele ano, os preços foram influenciados pela disparada do dólar em 2002, reflexo do nervosismo com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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