Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

IPCA se aproxima do centro da meta de 6,5% ao ano

CENÁRIO

O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2014 | 02h02

Em abril do ano passado, o tomate ganhou as manchetes dos jornais e revistas como o símbolo de uma inflação que dava indícios de estar descontrolada. Os preços do tomate subiram mais de 120% e, como o assunto chegava à mesa do brasileiro, a luz amarela acendeu.

Naquele mês, o Banco Central, que não elevava juros há quase dois anos, inverteu a curva e a Selic começou sua trajetória de alta, em uma das opções de política monetária para combater a inflação.

Passado um ano, a despeito dos juros terem subido quase quatro pontos porcentuais, a inflação ainda preocupa pois se mantém nos mesmos níveis do ano passado e distante dos 4,5% ao ano estabelecidos como meta pelo governo. Se a inflação atinge os 4,5% é como acertar o alvo, ou seja, atingir o "centro da meta".

Assim como num jogo de tiro ao alvo, também na economia existe um raio para se acertar os dardos. No caso da inflação, esse raio é de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Ao ultrapassar essa barreira, é como jogar o dardo para fora do tabuleiro.

No último boletim Focus, que reúne as estimativas de 100 analistas de diferentes casas do mercado financeiro e é divulgado toda semana, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano subiu de 6,35% para 6,47%, praticamente colando a inflação no teto da meta que é de 6,5%.

Apesar dessa deterioração das expectativas, o mercado não espera que o BC alongue o atual ciclo de aperto monetário, ou seja, da alta de juros, para muito além de maio. Pelo boletim Focus, a mediana das expectativas é de mais um ajuste de 0,25 ponto porcentual, o que levaria a Selic para 11,25% ao ano.

Na semana passada, a prévia da inflação oficial acelerou de 0,73% em março para 0,78% em abril, segundo informações divulgadas pelo IBGE. Foi a maior taxa registrada pelo IPCA Amplo (IPCA-15) desde janeiro de 2013 (0,88%), mas ainda ficou abaixo do repique registrado pelo IPCA de março (0,92%).

O resultado surpreendeu positivamente o mercado, que esperava taxa mais elevada. Com isso, os investidores reduziram suas apostas de alta na taxa de juros em contratos no mercado futuro, mas a inflação ainda é considerada elevada.

Carnes, batata, leite e mais uma vez o tomate lideraram a lista de maiores impactos no IPCA-15 de abril. O tomate subiu 14,8%. A gasolina também ficou entre os primeiros colocados, por causa do aumento de 0,93%. Pesaram ainda etanol e remédios.

O economista Leonardo França Costa, da consultoria Rosenberg & Associados, ressalta que o movimento pode contribuir para que o IPCA-15 supere em junho o teto da meta de inflação, estabelecido em 6,5% ao ano. Até abril, o índice já acumula uma alta de 6,19% em 12 meses.

"Esse cenário preocupa porque os preços dos alimentos continuam subindo e temos outros ajustes a serem feitos, como o da tarifa de energia elétrica", afirma Costa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.