IPCA surpreende em setembro e vai a 6,75% em 12 meses, maior nível em 3 anos

A inflação oficial brasileira surpreendeu em setembro ao, em 12 meses, atingir o maior nível em quase três anos e se afastar ainda mais do teto da meta do governo, impulsionada pelos preços de alimentos às vésperas da realização do acirrado segundo turno da eleição presidencial.

REUTERS

08 de outubro de 2014 | 09h49

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,57 por cento no mês passado, acumulando em 12 meses 6,75 por cento, maior nível desde outubro de 2011 (6,97 por cento), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira,

Em agosto, o indicador havia avançado 0,25 por cento na base mensal, acumulando em 12 meses 6,51 por cento, já acima do teto da meta oficial --4,5 por cento, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Os números de setembro do IPCA ficaram bem acima das expectativas em pesquisa da Reuters, cujas medianas apontavam alta de 0,47 por cento na comparação mensal e 6,64 por cento em 12 meses.

A inflação tem ficado acima de 6 por cento há meses, mesmo com a política de juros elevados do Banco Central, tornando-se um dos principais problemas para a presidente Dilma Rouseff (PT), que tem pela frente uma disputa bastante apertada com o candidato do PSDB, Aécio Neves, no segundo turno das eleições.

No mês passado, segundo o IBGE, o maior impacto de alta veio do grupo Alimentação e Bebidas, cujo preços subiram 0,78 por cento, respondendo por 0,19 ponto percentual do indicador. Com isso, o grupo deixou para trás três meses de queda nos preços.

Também pesaram em setembro a inflação nos grupos Habitação (0,77 por cento) e Transporte (0,63 por cento).

O IBGE informou ainda que os preços administrados, que pressionam a inflação neste ano e devem pesar também em 2015, desaceleraram a alta a 0,40 por cento no mês passado, contra 0,51 por cento em agosto.

Por outro lado, os custos de serviços, outra fonte de pressão, aceleraram a alta a 0,77 por cento em setembro, sobre 0,59 por cento no mês anterior.

(Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira; Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro)

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