Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

IPCA-15, prévia da inflação, volta a acelerar e atinge 0,69% em junho

Taxa havia ficado em 0,59% em maio; no acumulado em 12 meses, porém, houve um pequeno recuo, de 12,20% para 12,04%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2022 | 09h05
Atualizado 24 de junho de 2022 | 13h04

RIO - A inflação brasileira voltou a acelerar em junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15),  prévia da inflação oficial, ficou em  0,69% em junho, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira, 24, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No IPCA-15 de maio, a taxa havia ficado em 0,59%.

O alívio em maio pelo fim da cobrança extra da bandeira tarifária de escassez hídrica sobre a conta de luz foi sucedido em junho por uma pressão de aumentos disseminados pelos demais grupos de bens e serviços investigados. Os vilões foram os reajustes dos planos de saúde e dos medicamentos, mas também da taxa de água e esgoto, passagens aéreas e automóveis novos.

A taxa do IPCA-15 acumulada em 12 meses ficou em 12,04%, ante uma meta de inflação de 3,50% perseguida pelo Banco Central (BC) para 2022, com intervalo de tolerância de 2,00% a 5,00%. No ano passado, a inflação pelo IPCA foi de 10,06%, quase o dobro do teto de tolerância de 5,25%, que tinha como centro da meta uma taxa de 3,75%.

De acordo com o IBGE, todos os grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em junho. O maior impacto (0,19 ponto porcentual no índice) veio dos Transportes (0,84%). No entanto, esse segmento desacelerou em relação a maio (1,80%). A maior variação veio de Vestuário (1,77% de alta e 0,08 ponto porcentual no índice), seguido por Saúde e cuidados pessoais (1,27%), que contribuiu com 0,16 ponto no índice do mês. O grupo Habitação, que havia registrado queda no mês anterior (-3,85%), subiu 0,66% em junho. Os demais grupos ficaram entre o 0,07% de Educação e o 0,94% de Artigos de residência, conforme a nota do IBGE.

Os planos de saúde subiram 2,99% em junho, item de maior impacto sobre a inflação do mês, 0,10 ponto porcentual. A alta é decorrente do reajuste de até 15,50% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 26 de maio, com vigência a partir de maio de 2022 e cujo ciclo se encerra em abril de 2023, lembrou o IBGE. Os produtos farmacêuticos também ficaram mais caros em junho, com elevação de 1,38%, um impacto de 0,05 ponto porcentual no IPCA-15.

Em habitação, embora tenha havido queda na energia elétrica (-0,68%) e no gás de botijão (-0,95%), houve encarecimento da taxa de água e esgoto (4,29%) e do gás encanado (2,04%).

As passagens aéreas ficaram 11,36% mais caras em junho. Houve aumentos também no seguro voluntário de veículo (4,20%), emplacamento e licença (1,71%), motocicletas (1,66%), automóveis novos (1,46%), automóveis usados (0,12%), ônibus urbano (0,32%) e ônibus intermunicipal (1,34%). O óleo diesel aumentou 2,83% este mês, mas houve recuos no etanol (4,41%) e na gasolina (0,27%).

As compras nos supermercados subiram menos em junho, 0,08%. O leite longa vida voltou a ficar mais caro, 3,45%, mas houve reduções na cenoura (-27,52%), tomate (-12,76%), batata-inglesa (-8,75%), hortaliças e verduras (-5,44%) e frutas (-2,61%).

Análises

O IPCA-15 trouxe sinais de aumentos de preços menos disseminados, avaliou o economista da consultoria GO Associados, Lucas Godoi. Segundo ele, o resultado favorece o fim do ciclo de aperto monetário na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de agosto, com um novo aumento da taxa básica de juros, a Selic, dos atuais 13,25% ao ano para 13,75%.

A despeito da avaliação positiva do IPCA-15 de junho, o economista deve revisar para cima sua projeção de 0,70% para o IPCA fechado do mês. “Deve vir um pouco maior porque tem a questão dos combustíveis e dos planos de saúde”, justificou Godoi, que estima um IPCA de 8,50% em 2022.

O banco BNP Paribas espera um IPCA de 10,0% neste ano, seguido de alta de 5,0% em 2023. Os números da prévia do mês de junho corroboram a expectativa de uma taxa Selic terminal de 14,25%, com mais duas altas de 0,5 ponto porcentual, nas reuniões de agosto e setembro, avaliou a economista para Brasil do BNP Paribas, Laiz Carvalho.

"Apesar de a gente estar vendo a inflação voltando para patamares um pouco mais baixos do que aqueles 1,7%, 1,5% que vimos desde o início do ano, ainda é uma composição muito ruim”, opinou Carvalho, mencionando os preços ainda elevados de serviços e de bens industriais. "Acaba mostrando uma persistência muito grande dessa inflação."

(Colaboraram Cícero Cotrim e Guilherme Bianchini)

 


 

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