Ipea avalia que mercado de trabalho começa a reagir

O mercado de trabalho no Brasil saiu do fundo do poço e começa a atingir a superfície. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que divulgou hoje seu Boletim de Conjuntura sobre Mercado de Trabalho que, por meio de análise nas principais pesquisas sobre emprego do País, estima que o número de pessoas trabalhando, ou a população ocupada, está em trajetória crescente no Brasil. O Boletim conclui também que a massa salarial real apresenta sinais de recuperação."Acho que o nosso presidente Lula se enganou por um ano quando disse que o espetáculo do crescimento começaria em julho do ano passado, pois parece que vai começar em julho deste ano", brincou o economista do instituto, Luiz Eduardo Parreiras. Segundo ele, o Ipea projeta início de trajetória de queda em todos os indicadores de desemprego, a partir de julho a agosto deste ano.Na avaliação do técnico, o que está ocorrendo é uma análise superficial das pesquisas sobre emprego, divulgadas este ano. "As manchetes sobre mercado de trabalho sempre dizem que tudo vai de mau a pior, com o desemprego aumentando e a renda caindo. Mas o mercado de trabalho não está ruim como estes números, avaliados de forma apressada, dão a entender", disse.Avaliação dos números do IBGEEle informou que na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de março, divulgada pelo IBGE em abril e que apresentou taxa de desocupação de 12,8% no mês, apresentou alta de 0,4% na população ocupada, ou seja, no número de pessoas trabalhando, ante março do ano passado. No primeiro trimestre, a população ocupada apresentou elevação de 1,6% ante igual período em 2003, de acordo com análise do Ipea feita com base na pesquisa do IBGE.O técnico afirmou ainda que, na análise do Dieese sobre emprego, na região metropolitana de São Paulo, foram criados 127 mil postos de trabalho em abril, o maior patamar desde meados da década de 80. Parreiras observa que as taxas de desemprego continuam subindo porque o número de pessoas em busca de trabalho apresentou uma elevação expressiva maior do que a velocidade de geração de postos de trabalho no mercado. Mas avalia que, com a perspectiva positiva de crescimento econômico, em 3,5% do PIB este ano, ante 2003, o mercado de trabalho vai se aquecer mais rapidamente.

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