Ipea: Brasil é um dos líderes em despesa previdenciária

O Brasil aparece no grupo dos líderes em despesa previdenciária junto com Suíça, Áustria, Nigéria e Uruguai e acima de países ricos, envelhecidos e com ampla cobertura, como a Alemanha, em ranking elaborado pelos pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Abi-Ramia Caetano e Rogério Boueri Miranda. O estudo considera as despesas de previdência em proporção à capacidade econômico-financeira dos países em conceder os benefícios."Os resultados mostram que o Brasil encontra-se no topo do ranking entre os países nos quais o sistema previdenciário é superdimensionado", diz a sinopse do texto "Comparativo Internacional para a Previdência Social", destaque de hoje no site do Ipea. De acordo com o estudo, "o Brasil é a única nação da amostra na qual todas as variáveis indicam que o País está fora do padrão internacional". Exemplificam com a Áustria, que também está na primeira posição mas tem a população bem mais envelhecida.VariáveisOs autores explicam que o ranking é feito por meio de indicador que compara o total de despesa previdenciária com a capacidade econômico-financeira para a concessão dos benefícios a partir de cinco itens: estrutura demográfica, relação entre aposentadoria e renda per capita, participação dos contribuintes na força de trabalho, alíquotas de contribuição e idades mínimas requeridas para aposentadoria. Todas as cinco variáveis explicam nossa liderança, segundo Caetano e Miranda."Em outras palavras, para um comparativo internacional, o País é jovem, a previdência repõe boa parte da renda, a cobertura e as alíquotas previdenciárias são altas e o nosso regime previdenciário ainda não conta com uma idade mínima para aposentadoria", diz o texto.ConclusõesOs autores concluem que os resultados podem ser vistos de duas formas, positiva ou negativa. "Da perspectiva da extensão da rede de proteção social, a previdência brasileira mostra-se bastante evoluída, com posição superior, em termos relativos, a países de OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A esses ganhos contrapõem-se os custos fiscais", dizem os autores.O pagamento de aposentadorias e pensões para o setor público e privado absorve 12% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Isso significa que de cada R$ 10 produzidos no País, mais de R$ 1 se aloca ao pagamento dos benefícios previdenciários.

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