Ipea defende manutenção da meta do superávit primário

O diretor de Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Levy, defendeu nesta quinta-feira, 22, a manutenção da meta de superávit primário do setor público - arrecadação menos despesas, exceto o pagamento de juros - como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) em 4,25%. Com a revisão dos dados do PIB entre 1996 e 2005, e o conseqüente aumento na variação do crescimento econômico, a proporção do superávit primário ante o PIB tende a diminuir. Os números mostram que o PIB é quase 11% maior do que se pensava e o mesmo porcentual de superávit significa que o governo deverá fazer uma economia de cerca de R$ 10 bilhões para manter a relação equiparada. O governo, agora, terá que decidir entre reduzir o porcentual ou manter a meta como proporção do PIB e buscar esses recursos fazendo cortes em outras despesas ou tentando aumentar a arrecadação.Segundo Levy, porém, o governo considera que, na prática, já haveria uma redução na meta para descontar 0,5% do Projeto Piloto de Investimento (PPI), o que a deixaria no patamar de 3,75% do PIB. Sendo assim, a atualização no valor já estaria feita. Outra razão, de acordo com o economista, seria que, se a meta for mantida, os indicadores fiscais vão melhorar mais rápido.DívidaA dívida também ficou muito menor como proporção do PIB com os resultados divulgados na quarta-feira. A dívida líquida do setor público passou de 51,5% para 46,5% do PIB. Esse nível para a dívida era previsto para ser atingido no ano que vem, mas foi conseguido em 2005, três anos antes.De acordo com Levy, porém, uma redução na meta de superávit primário pode vir a anular esse tempo ganho, já que a diminuição da dívida a cada ano ficaria também menor. Na sexta-feira, o Ipea divulgará uma nota técnica sobre o aumento do PIB.

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