Ipea: nível das reservas brasileiras é 'excessivo'

O nível de reservas internacionais do Brasil está "excessivo" para prevenir uma eventual inadimplência ("default"), a não ser em casos de uma combinação dos efeitos de duas crises - uma cambial e uma bancária. Essa é a principal conclusão de estudo dos pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marco Antônio Cavalcanti e Christian Vonbun.O trabalho "Reservas internacionais ótimas para o Brasil: uma análise simples de custo-benefício para o período 1999-2007", foi publicado este mês pelo Ipea, mas ainda se baseia no nível de setembro, quando as reservas estavam em US$ 162 bilhões, menores que os mais de US$ 178 bilhões de ontem.Cavalcanti e Vonbun observam que essas crises são improváveis em um País com câmbio flutuante e um "sistema financeiro robusto". "Embora a política de acumulação de reservas observadas entre 2006 e 2007 possa ser considerada acertada com base em alguns dos cenários descritos, já estaria ''na hora de parar de comprar'', ou mesmo de vender parte das reservas, sob pena de gerar perdas sociais crescentes para o País", diz o texto, citando expressão do economista e empresário Cláudio Haddad de que estaria na hora de parar de comprar.De acordo com eles, o resultado da pesquisa não significa que a política adotada pelo Banco Central tenha sido inadequada. "Implica apenas que uma possível justificativa para tal política não pode basear-se unicamente nos benefícios associados à prevenção ou atenuação dos custos esperados de uma crise externa - devendo passar, possivelmente, pela consideração dos possíveis benefícios relativos à condução da política cambial ou à atração de novos investimentos externos", dizem no texto.Os autores registram que, por questões metodológica, sua "análise é limitada sob vários aspectos", "incompleta" e seus resultados "devem ser interpretados com cautela". Destacam que ela desconsidera o possível uso de reservas para tentar a afetar a taxa de câmbio; o papel dos recursos externos acumulados como garantia para investimentos estrangeiros e a existência de custos fiscais associados à necessidade de retirar os reais colocados no mercado em troca da moeda estrangeira que ingressou no País.

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