IPEA planeja abrir representação na China

Instituição quer melhorar o conhecimento e pesquisa sobre o planejamento econômico e de políticas públicas do principal parceiro comercial brasileiro

Fabio Alves, da Agência Estado,

21 de junho de 2011 | 12h12

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) planeja abrir ainda no segundo semestre um escritório de representação na China, a exemplo do que já fez na Venezuela. A instituição quer melhorar o conhecimento e pesquisa sobre o planejamento econômico e de políticas públicas do principal parceiro comercial brasileiro.

"A China desenvolveu todo um conjunto de técnicas de planejamento de médio e longo prazos, enquanto que no Brasil essas técnicas haviam sido praticamente abandonadas na virada do século XX para o século XXI, e assim nós estamos recuperando essas técnicas," disse o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, à Agência Estado. "Ao mesmo tempo, há uma série de elementos que nós não temos muita precisão, desde informações quantitativas até a condução de políticas públicas que a China fez em termos de política industrial, regional e o redesenho da sua política social."

O Ipea deve abrir em breve processo de seleção interna para enviar um ou dois técnicos para o escritório de representação na China, segundo Pochmann. A abertura do escritório e o deslocamento dos técnicos do Ipea dependem de negociações finais entre os dois governos, incluindo as condições físicas de instalação dessa representação, provavelmente a ser implantada dentro da sede da Academia Chinesa de Ciência em Pequim, afirmou ele. O objetivo é que haja uma reciprocidade do governo chinês, com a vinda de técnicos da instituição chinesa para abrir uma representação ou fazer trabalhos de pesquisas no Brasil, aproveitando a infraestrutura do Ipea.

Pochmann lembrou que a presença de empresas públicas e privadas brasileiras na Ásia, em particular na China, tem ganhado maior proporção e que a relação comercial entre os dois países cresce de forma muito rápida.

Em 2010, a China foi o principal destino das exportações brasileiras, com vendas de US$ 30,8 bilhões, ou 15% do total embarcado para o exterior. Já o país asiático foi o segundo principal fornecedor de produtos e serviços para o Brasil no ano passado, com o valor das importações brasileiros atingindo US$ 25,6 bilhões, atrás apenas das compras feitas aos Estados Unidos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que os chineses tornaram-se também os maiores fornecedores para o Brasil no primeiro trimestre de 2001, ultrapassando os norte-americanos.

A relação comercial bilateral é marcada, contudo, pelo desequilíbrio entre a concentração da pauta de exportação para China de matérias-primas e outros bens de menor valor agregado e a importação de produtos chineses de alta tecnologia, situação agravada pela valorização do real, que vem corroendo a competitividade da indústria brasileira e deflagrando um temor da desindustrialização, ou uma participação cada vez menor da indústria no PIB brasileiro . De acordo com estudo do Ipea, de cada dólar exportado para a China, 87 centavos são de produtos primários e de manufaturas intensivas em recursos naturais, 7 centavos vêm de produtos de média intensidade tecnológica e apenas 2 centavos de produtos de alta tecnologia.

Já as importações brasileiras de produtos de alta tecnologia da China aumentaram de US$ 487 milhões em 2000 para quase US$ 10 bilhões em 2010, conforme o Ipea. A participação desses produtos chineses no total importado brasileiro chegou a ultrapassar 50% em 2005. "Estamos num momento estratégico de redefinição do papel do Brasil com relação ao seu comércio com a China," afirmou Pochmann. "Há, de fato, um desequilíbrio dessa relação do ponto de vista da composição tecnológica e do valor agregado, mas isso é em razão muito mais dos constrangimentos da economia brasileira do que uma imposição por parte da China."

Tudo o que sabemos sobre:
IpeaChinaciênciapesquisa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.