Ipea prefere destacar recuperação do PIB no final de 2003

Apesar do resultado decepcionante do PIB acumulado em 2003 - de menos 0,2% -, os números do IBGE mostram uma recuperação importante da economia doméstica nos últimos meses, ou "na margem", como disse o economista Eustáquio Reis, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento. "O que mais interessa no número do PIB é a constatação de que na margem está havendo uma recuperação. Pode não ser uma recuperação gloriosa, mas que espera-se seja capaz de manter o fôlego daqui para frente", disse ao Estado.Para ele, as quedas dos juros básicos realizadas pelo Banco Central até dezembro do ano passado ainda não surtiram efeito na atividade econômica. O economista disse que não viu a queda de 0,2% no PIB no ano passado como uma "surpresa". "Em termos de estatísticas econômicas não chega a haver diferença entre a estabilidade que se projetava e uma queda de 0,2 ponto", disse. Reis afirma que a constatação de um ano "pífio" na economia coloca pressão adicional sobre a política monetária. Para ele, o crescimento do Brasil este ano dependerá de novas reduções nos juros e também do comportamento da economia dos Estados Unidos. Ele discordou das avaliações de que outras pastas do governo além do BC e Fazenda também tem de trabalhar para a recuperação da atividade. "Uma coisa é a recuperação da atividade. Ela depende da utilização dos instrumentos de política macroeconômica, dos quais a política fiscal com a Fazenda e a política monetária com o Banco Central são os pilares", explica o economista do Ipea. "Outra coisa é a sustentação do crescimento no médio e longo prazo, aí sim é que entra o trabalho de outras áreas, como infra-estrutura, educação, etc.".Sobre o regime de metas de inflação, Reis avalia ser de extrema importância um sistema de metas mesmo "apertadas" numa economia de tradição inflacionária como a brasileira. "O grande problema é que é muito fácil a inflação, a indexação, voltar. Diria até que coçar e inflacionar no Brasil, é só começar", afirma. "O regime de metas é necessário e infelizmente as metas ainda precisam ser um pouco apertadas, mesmo que o BC não venha a mirar exatamente o seu centro."

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