Ipea prevê dólar na média de R$ 2,25 no ano

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê que o dólar terá cotação média de R$ 2,25 ao longo deste ano e que a balança comercial fechará 2006 com saldo de US$ 41,8 bilhões, segundo boletim trimestral divulgado nesta quarta-feira. No boletim anterior, de dezembro, o órgão do Ministério do Planejamento previa dólar médio a R$ 2,42 e saldo comercial de US$ 35,8 bilhões.A revisão das projeções para o dólar seguem a tendência apresentada no início da semana pela pesquisa Focus, do Banco Central, que também previu a moeda norte-americana em baixa. No último trimestre, o Ipea agora está esperando uma cotação de R$ 2,28, enquanto em dezembro sua expectativa era de que o câmbio no fim deste ano estivesse em R$ 2,53.Exportações e importaçõesSegundo o estudo, a melhora no saldo da balança comercial é marcada pela previsão para exportações, que subiu de US$ 123,4 bilhões para US$ 129,7 bilhões. Em contrapartida, a estimativa para as importações ficou praticamente inalterada, passando de US$ 87,6 bilhões para US$ 87,9 bilhões. O saldo em transações correntes também teve sua previsão ampliada de US$ 3,8 bilhões para US$ 6,5 bilhões. O Ipea revisou para baixo a previsão da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,8% para 4,5%. Porém, a taxa básica de juros (Selic, atualmente em 17,25% ao ano) permaneceu em média nominal de 15,7% ao ano e de 14,7% no último trimestre.PIBA previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 3,4%, embora com variações nos seus componentes. A maior delas é a redução da previsão do aumento do investimento (no conceito de formação bruta de capital fixo, relacionado à construção civil e às máquinas e equipamentos): de 7% para 5,8%. Houve um aumento da expectativa de crescimento da agropecuária este ano de 2,9% para 3,3%; da indústria de 4,7% para 4,8% e dos serviços de 2,4% para 2,5%. Crescimento maiorPorém, o economista do Ipea Fábio Giambiagi não descarta a possibilidade de a economia crescer 4% este ano, mas, para isso, a variação trimestral dessazonalizada (sem considerar efeitos típicos de certas épocas do ano) teria que ser ainda maior que a estimada pela entidade, que está em 1%. "Não fiz as contas, mas uns 0,2 ou 0,3 (ponto porcentual) a mais por trimestre", disse Giambiagi. Mostrando a série estatística do PIB trimestral desde 2000, ele enfatizou que não houve ainda na história recente um ano inteiro com quatro trimestres consecutivos em torno de 1,2% ou 1,3% de crescimento, mesmo com ajuste sazonal, como acredita que seria necessária para ter o PIB aumentando 4% este ano.De 2000 para cá, só uma vez ocorreu uma série de quatro trimestres consecutivos com crescimento acima de 1% em cada trimestre. Foi do 4o trimestre de 2003 ao 3o trimestre de 2004. "Foi um crescimento espetacular, mas porque as taxas de juros vieram de 26% para 17% e agora iriam de 19% ou 18% para 14,5%", comparou Giambiagi. Ele observou que, como a economia de 2003, terminou aquele ano "bombando a mil", produziu um efeito de 1,5 ponto porcentual de contribuição com o crescimento do PIB em 2004 em relação à média de 2003 (bem mais baixa devido a um primeiro semestre de crescimento negativo). A contribuição de 2005 para o PIB deste ano será muito menor, da ordem de 0,5 ponto porcentual. Por isso, a variação do PIB no ano deve ser também menor, mesmo com o crescimento médio de 1% ao trimestre, próximo do de 2004, quando o PIB cresceu 4,9%. Este texto foi alterado às 15h44 com complemento de informações

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.