Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Ipea prevê quebra de recordes negativos na atividade econômica com pandemia

Produção industrial deve cair 36,1% em abril ante março; varejo, 28,7% e serviços, 23,7%, afirma boletim da instituição

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2020 | 00h05

RIO - Os efeitos da paralisação das atividades sobre a economia, iniciados na segunda quinzena de março, na esteira do avanço da pandemia de covid-19 sobre o País, se aprofundaram em abril, mostra o Boletim de Acompanhamento Setorial da Atividade Econômica, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na última quarta-feira, 27. Os pesquisadores do Ipea projetam, sempre na comparação de abril com março, tombos de 36,1% na produção industrial, de 28,4% nas vendas do varejo e de 23,7% no volume de serviços prestados.

“Vamos quebrar recordes negativos para alguns indicadores de atividade em abril e no segundo trimestre, por consequência”, afirmou Leonardo Carvalho, economista do Ipea e um dos autores do boletim, publicado ontem no site do instituto.

As projeções do Ipea miram as três grandes pesquisas sobre a atividade setorial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e levam em conta tanto o efeito de carregamento do desempenho do primeiro trimestre sobre abril quanto dados coincidentes – de pesquisas qualitativas a dados diários sobre transações comerciais – já informados sobre o mês passado. Nesta quinta-feira, 28, o IBGE divulgará o PIB do primeiro trimestre, mas as pesquisas de abril sobre a indústria, o comércio varejista e o setor de serviços serão conhecidas apenas na primeira quinzena de junho.

A mais recente projeção do Ipea para o PIB aponta queda de 1,8% em 2020, no pior cenário, traçado no fim de março. Agora, segundo Carvalho, os pesquisadores do instituto revisarão a estimativa após a divulgação dos dados do primeiro trimestre pelo IBGE. O economista chamou a atenção para o elevado nível de incerteza, que dificulta até mesmo a elaboração das projeções com base em modelos estatísticos.

Na produção industrial, o tombo de 36,1% em abril ante março, após a retração de 9,1% em março ante fevereiro, será puxado pela fabricação de veículos e de artigos para vestuário, conforme as projeções do Ipea. Com isso, a produção registrará queda de 44,6% ante abril de 2019.

Diante disso, o Ipea projeta o tombo histórico de 92,9% na produção de veículos automotores em abril ante março, conforme a segmentação feita na pesquisa do IBGE. Já a produção de artigos de vestuário deverá registrar queda de 14,6% em abril ante março. A produção de celulose e papel e a fabricação de alimentos deverão se destacar, com desempenho superior ao das demais atividades.

No comércio varejista, os veículos também devem ser o destaque negativo, com queda de 62,2% em abril ante março. 

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