Ipea prevê queda de 0,6% do PIB no primeiro trimestre

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima um encolhimento de 0,6% no PIB no primeiro trimestre Será a primeira taxa trimestral negativa em dois anos, caso se confirme a previsão do instituto de crescimento de 0,4% no último trimestre de 2001. Apesar do fraco início, a economia fechará 2002 com crescimento de 2,5%, acredita o Ipea.Na prática, a retomada já em curso se consolidará, conforme as mesmas projeções, no segundo semestre, com um crescimento de 4,4%, ante a expansão de apenas 0,65% nos primeiros seis meses. A queda prevista no trimestre está ligada à elevada base de comparação do ano passado.Será concentrada na atividade industrial, que recuará 3,6%, mas compensada pelo avanço da agropecuária, em 5,9%. "Os períodos entre dezembro de 2000 e janeiro de 2001 são os maiores de toda a série de produção industrial. A atividade estava muito aquecida", disse o coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural (Gap), Paulo Mansur Levy.Por isso, mesmo que esteja sinalizando recuperação nos últimos meses, a atividade comparada com o primeiro trimestre será negativa. Ao longo do ano, contudo, o PIB evoluirá e chegará a um crescimento de 5,1% no último trimestre.Por setores, a indústria avançará 1,7% este ano, a agropecuária 3,7% e serviços 2,8%. Do ponto de vista da demanda, o avanço vai se sustentar no crescimento de 2,4% do consumo, 1,5% do investimento, 3,9% das exportações e 2,2% das importações.A performance no ano refletirá o fim do racionamento, com impactos maiores nos setores mais afetados, como o têxtil, e na demanda de bens de consumo durável, além de uma política monetária menos rígida e da recuperação das economias americana e mundial. "Claramente, o ambiente econômico melhorou", afirma Levy.O Ipea reviu a projeção de aumento do PIB de 1,7% para 1,8% para o ano passado. Os dados relativos ao PIB do último trimestre e do ano de 2001 serão divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2002, o crescimento previsto era de 2,4% e avançou 0,1 ponto porcentual.Já o desemprego deverá ficar em 6,2% este ano, no mesmo nível de 2001, mas os rendimentos cairão 1,4%. Outro dado revisto foram as taxas de juros no fim do ano, antes projetadas para 18% e, agora, em 17%. Segundo o boletim, com a recente redução da taxa básica de juros (Selic), o Banco Central "sinaliza a continuidade desta política em 2002" e que o Banco Central aceita "inflação ligeiramente superior ao ponto central da meta, mas ainda dentro do intervalo que o envolve". Neste sentido, as projeções de inflação também foram ligeiramente calibradas, dos 4,5% anteriormente projetados para 4,7%. O maior ajuste de projeções ocorreu no saldo comercial previsto para 2002: caiu de US$ 5,3 bilhões para US$ 4 bilhões. A redução decorre da queda das exportações para a Argentina e, em menor grau, pela taxa de câmbio menor. Segundo o instituto, a queda das vendas para a Argentina respondeu por 45% da redução de 12,5% das exportações totais do País em janeiro. No boletim divulgado hoje, o Ipea previu taxa de R$ 2,61 no fim do ano, menor que os R$ 2,73 anteriormente projetados.Espera-se ainda a diminuição do déficit em conta corrente para US$ 21,3 bilhões, inferior aos US$ 23,2 bilhões no ano passado. Levy explicou que a necessidade de financiamento externo do País neste ano cairá para US$ 48 bilhões, US$ 11 bilhões abaixo do valor no ano passado. Na sua avaliação, o Brasil não terá de recorrer ao FMI neste ano para garantir financiamento externo.Os investimentos diretos no País também devem cair, de US$ 22,5 bilhões no ano passado para US$ 16,7 bilhões neste ano, segundo a projeção do Ipea. Já o cenário básico da dívida líquida do setor público permanece estável, em 53,4% sobre o PIB.

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