Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ipea aumenta previsão do IPCA deste ano de 4,9% para 5,6%

Mudança foi puxada por novas altas nos preços de commodities, bens industriais e alimentos

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2022 | 11h12

RIO - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou sua projeção para a inflação oficial no País em 2022 de 4,9% para 5,6%, diante de novas altas nos preços de commodities, bens industriais e alimentos. A estimativa considera a inflação apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que serve como base para o sistema de metas de inflação.

A projeção anterior tinha sido divulgada pelo órgão em 24 de novembro de 2021. O Ipea justifica que o cenário atual no País combina "inflação corrente elevada, pressões persistentes de commodities, cadeias produtivas desreguladas e contribuições climáticas menos favoráveis".

O IPCA acumulou uma alta de 10,38% nos 12 meses terminados em janeiro, decorrente ainda da forte pressão dos bens e serviços monitorados pelo governo (com elevação de preços de 16,8% no período), mas também da "piora no desempenho dos preços livres, especialmente dos bens industriais e dos alimentos", apontou o instituto.

"Nota-se, entretanto, que o comportamento menos favorável dos preços dos alimentos e dos bens de consumo deve se manter nos próximos meses, constituindo-se no principal fator de limitação a uma desaceleração mais intensa da inflação no ano. Adicionalmente, a nova aceleração dos preços do petróleo e a constatação de um déficit maior nas empresas do setor elétrico sinalizam aumentos mais significativos das tarifas de energia e dos preços dos combustíveis, limitando ainda mais o processo de desinflação em 2022", escreveram os técnicos do Ipea Maria Andréia Parente Lameiras e Marcelo Lima de Moraes, na Carta de Conjuntura publicada nesta terça-feira, 22.

Na revisão, a projeção para os preços dos bens livres (exceto alimentos) em 2022 avançou de 3,7% para 5,0%, e dos alimentos no domicílio, de 4,5% para 6,1%. A inflação esperada para os preços administrados passou de 5,4% para 6,0%, enquanto foram mantidas as estimativas anteriores para os serviços livres (5,2%) e a educação (7,9%), "tendo em vista que seguem vigentes as condições utilizadas para a projeção anterior, ou seja, crescimento econômico moderado e recuperação gradual do mercado de trabalho, impedindo uma retomada mais forte da demanda interna".

Renda de até cinco salários mínimos

A projeção para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos e chefiadas por assalariados, também foi revista para cima, de 4,6% para 5,5% em 2022.

"Esse movimento de alta mais acentuada é resultante de uma pressão maior dos preços dos alimentos no domicílio e dos bens industriais, cujas taxas de variação estimadas avançaram de 4,5% e 3,8% para 6,4% e 4,9%. Para os preços monitorados, a previsão atual indica alta de 6,1%, ante variação de 5,4% projetada anteriormente. Já as taxas de inflação previstas para os serviços livres e a educação foram mantidas em 4,5% e 6,7%, respectivamente", justificaram os pesquisadores do Ipea sobre a composição do INPC.

A Carta de Conjuntura ressalta ainda que não estão descartados riscos inflacionários adicionais, que podem frear a desaceleração esperada para a inflação no ano.

"Pelo lado da economia mundial, o agravamento das tensões entre Rússia e Ucrânia pode gerar uma alta mais acentuada das commodities, especialmente do petróleo e do gás; internamente, as incertezas em relação à política fiscal, que podem se intensificar devido às discussões inerentes ao processo eleitoral, podem ter impactos negativos na taxa de câmbio", ponderaram os técnicos, na nota.

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