Ipea provoca o BC e diz que juro não precisa subir

Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que terá início hoje e decidirá o futuro da taxa básica de juros (Selic), economistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea, vinculado ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República) divulgaram ontem um documento com "evidências empíricas" com objetivo de evitar uma elevação na Selic. Áudio com Alexandre Schwartsman, economista-chefe para AL do Banco Real, que espera alta de 0,25 da Selic Mais informações sobre juros"Na atual conjuntura, a adoção de uma política monetária contracionista seria, no mínimo, precipitada", dizem os economistas Salvador Werneck Vianna, André de Melo Modenesi e Miguel Bruno, que assinam o documento. O estudo alerta que "uma contração monetária seria um tremendo banho de água fria no espírito empresarial, o que pode reduzir drasticamente a sustentabilidade do atual ciclo de crescimento".Os economistas do Ipea acreditam que é "praticamente certo" o aumento na Selic amanhã, quando termina a reunião do Copom, mas afirmam ter esperança de que o documento que divulgaram ontem possa surtir efeito nas avaliações do BC. "O que nós vemos, com base nos dados atuais, é que o melhor é esperar", disse Vianna. Co-autor do estudo, Bruno quer saber "onde estão as evidências empíricas do BC". O documento argumenta, especialmente, que não há descasamento entre oferta e demanda, nem aumento preocupante da massa salarial. Além disso, os economistas destacam que o núcleo do IPCA, o índice oficial de inflação do País, de 4,24% nos 12 meses terminados em março, permanecia abaixo da meta (4,5%). "Uma alta nos juros não vai frear só o consumo, mas os investimentos também", alerta Bruno. Para Salvador, um ponto importante a ser destacado, para evitar alta nos juros, é que o momento atual "é muito diferente" do ciclo anterior de aumento da Selic, em 2004. "O momento atual é muito mais favorável em relação à capacidade de a oferta responder ao aumento da demanda", disse.Ainda segundo Salvador, o comportamento do câmbio após um aumento da Selic é uma "preocupação adicional", já que a cotação do dólar poderá cair abaixo de R$ 1,70, por causa da ampliação do diferencial de juros cobrados no Brasil em relação ao resto do mundo. Do lado dos investimentos, Bruno disse que uma alta na Selic "não vai demorar" a ter efeitos negativos. "O investimento é muito sensível a juros, talvez porque a economia há 25 anos tenha uma taxa baixíssima de investimento."A divulgação do documento foi temperada por críticas à atuação do BC. "O que todo mundo quer é que a economia cresça. O BC parece achar que o crescimento é ruim", disse Modenesi. "O BC tem de cuidar da inflação, mas deixar o PIB crescer", acrescentou.Vianna avalia que "o BC tem muito medo de errar". Ele afirmou que o objetivo do documento não é trazer "argumentos de economia política", mas acrescentou, ainda assim, que "há um temor excessivo do BC".Bruno afirmou que o BC transmite insegurança para o empresário. "Se eu estou na esfera financeira, fico feliz; mas, se estou na esfera produtiva, não", explicou.

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