Ipea reduz projeção de saldo da balança no 2º semestre

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reduziu em 30% sua projeção de saldo da balança comercial para o segundo semestre deste ano. O superávit esperado encolheu US$ 1 bilhão, de US$ 3,3 bilhões para US$ 2,3 bilhões no semestre. A lenta recuperação da economia global levou o instituto a rever a expectativa das vendas externas até o fim do ano.?As exportações estão caindo e a expectativa é de que não vão crescer tanto quanto estávamos esperando. Prevíamos uma recuperação mais forte em volumes e preços, o que não está acontecendo aparentemente?, comentou o economista Hamilton Kai, do Grupo de Acompanhamento Conjuntural (Gac), do Ipea.O instituto, que antes previa crescimento de 10,3% nas exportações no segundo semestre, agora projeta que estas vendas serão iguais às do ano passado. A performance das exportações anulou o efeito que a revisão para baixo do crescimento do País em 2002 poderia ter sobre o superávit.O Ipea reviu o crescimento do PIB brasileiro de 2% para 1,8%. O crescimento menor da atividade econômica reduz a necessidade de importações, o que ajuda no aumento do saldo. A previsão de superávit para este ano caiu dos US$ 5,3 bilhões anteriores para US$ 4,9 bilhões. A nova previsão para o ano leva em conta a atualização dos dados da balança. Na prática, o novo número se aproxima mais da média esperada pelo mercado.O boletim Focus, um levantamento feito pelo Banco Central junto a instituições financeiras, mostra que a estimativa de saldo da balança avançou de US$ 4,5 bilhões para US$ 4,6 bilhões, conforme edição desta segunda-feira.Com base nos dados da balança deste ano, o Ipea concluiu que a Argentina foi responsável por 55,1% do total da queda das exportações do Brasil neste ano. Por isso, a participação das vendas para o país vizinho encolheu de 10,1% para 3,8%, com relação ao ano passado. A desaceleração global foi responsável pelos 44,9% da queda restante.O levantamento mostra que houve diversificação da pauta: os cinco principais compradores, antes responsáveis por 47% das compras, representam apenas 44,3% do total. O Ipea também detectou um movimento de substituição de importações, ligado principalmente ao aumento do câmbio.O índice de participação das importações na produção medido pelo Instituto caiu de 18% no terceiro trimestre de 2001 para 13,5% atualmente. Houve queda de utilização de itens importados na fabricação de calçados, refino de petróleo e equipamentos eletrônicos.

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