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Ipea vê indícios de que início de recuperação da economia está próximo

Instituto destaca que setores industriais voltados ao comércio exterior são os primeiros beneficiados com o 'ajuste proveniente do setor externo'

André Magnabosco, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2016 | 13h56

SÃO PAULO - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta segunda-feira, 27, um estudo referente à situação econômica do País. O documento, no qual já aparece o nome do novo presidente do instituto, Ernesto Lozardo, sinaliza que a recuperação da economia brasileira estaria mais próxima. Os "primeiros sinais deste possível início de recuperação cíclica", de acordo com o Ipea, se concentram, a princípio, na indústria, sobretudo nas empresas com atuação no mercado externo.

"Não obstante o quadro geral relativo à atividade econômica continuar sendo caracterizado pelo ciclo recessivo iniciado no segundo trimestre de 2014, já há indícios de que o início da recuperação pode estar mais próximo", aponta a Carta de Conjuntura referente ao mês de julho. "Se, por um lado, o elevado grau de disseminação e intensidade da queda da atividade econômica lhe confere um caráter resiliente, por outro o desempenho recente de alguns indicadores sugere que a crise começa a perder fôlego", complementa o material.

O Ipea destaca que setores industriais voltados ao comércio exterior são os primeiros beneficiados com o que o instituto classificou como "ajuste proveniente do setor externo". A retração da demanda doméstica, por outro lado, "segue provocando um forte ajuste de estoques". O atual nível dos estoques, por outro lado, representaria uma "fonte de estímulo" para a retomada da produção doméstica.

O aparente otimismo, contudo, é acompanhado de uma análise do atual momento da indústria, o setor que mais sentiu a crise econômica, e todos os desafios ainda a serem superados. "A análise dos dados divulgados na Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) do IBGE permite identificar indícios de que a longa trajetória de queda da produção industrial pode estar se aproximando de um ponto de inflexão", aponta o Ipea. "O caminho de recuperação, no entanto, aparentemente será longo", destaca o documento, em outro trecho.

PIB. Ao analisar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no início do ano e destacar o fraco desempenho da economia nos últimos trimestres, o Ipea estima que o carry-over para 2016 ficou em -2,6%. "Ou seja, caso permaneça estagnado durante os próximos três trimestres, na série com ajuste sazonal, o PIB de 2016 terá sido 2,6% menor que o do ano passado", pondera o material, elaborado após a divulgação da queda de 5,4% do PIB referente ao primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado.

A desaceleração no ritmo de queda do PIB, cogitada pelo Ipea, teria como pano de fundo o atual patamar da economia brasileira. Desde o início da "atual recessão", período não detalhado pelo instituto, o PIB já acumula queda de 7,1%. Além disso, a queda acumulada em quatro meses até o mês de março ficou em 4,7%, novo recorde negativo da série histórica iniciada em 1996.

Os níveis de confiança dos empresários vêm registrando altas nos últimos meses, "embora ainda se mantenham em patamares muito próximos dos mínimos históricos", relembra a Carta da Conjuntura. A indústria, relembra o documento, apresentou queda em oito dos últimos dez trimestres. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou no início de 2016 pelo décimo trimestre consecutivo.

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