Ipea vê otimismo de estrangeiro com economia brasileira

O Brasil é destino interessante para os investimentos estrangeiros, de acordo com as conclusões do Monitor da Percepção Internacional do Brasil, divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A pesquisa, que ouviu em julho agentes internacionais ligados a 170 entidades, como embaixadas e consulados, câmaras de comércio, organizações multilaterais e multinacionais, procurou avaliar a percepção dos estrangeiros sobre a economia, as instituições e a sociedade no Brasil.

FABRÍCIO DE CASTRO, Agencia Estado

19 de agosto de 2010 | 17h40

Em relação à economia e às instituições brasileiras, o levantamento identificou uma perspectiva moderadamente otimista entre os estrangeiros para os 12 meses seguintes. No item sociedade, a percepção é neutra. De acordo com o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, o monitor busca avaliar a percepção de atores importantes para a economia brasileira. "O cenário internacional pós-2008 traz elementos importantes sob o ponto de vista da economia mundial", diz Pochmann. "Desde a crise de 1929, eram os países desenvolvidos que puxavam a economia mundial. Agora, dois terços do crescimento econômico esperado para este ano virá do Brasil, da China e da Índia."

Conforme a pesquisa, para 29% dos estrangeiros, o Produto Interno Bruto (PIB) do País crescerá mais de 6% nos próximos 12 meses, enquanto outros 59% apostam em uma expansão entre 3,6% e 6%. No caso da inflação, os agentes internacionais revelam uma postura neutra: eles esperam uma taxa próxima de 5,5% nos próximos 12 meses, acima da meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,5% tanto em 2010 quanto em 2011. Em janeiro, numa pesquisa-piloto do Monitor, o indicador relativo à inflação revelava uma postura muito otimista.

Para André Pineli, da Diretoria de Cooperação e Desenvolvimento Técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, os dados de inflação não chegam a surpreender. "As duas coisas (PIB e inflação) andam juntas, mas com sinais contrários", afirma. Segundo ele, como a pesquisa divulgada hoje foi feita em julho, quando ainda havia uma desconfiança em relação ao comportamento da inflação, é de se esperar uma preocupação maior com os preços. "Se fizermos esta pesquisa hoje, provavelmente teria um resultado melhor", afirma Pineli. Em agosto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,01% em julho.

De acordo com Pineli, a próxima edição do Monitor da Percepção Internacional do Brasil, que possui periodicidade trimestral, já vai apontar um otimismo maior com a economia. "São poucos o países que estão com uma condição tão favorável quanto o Brasil", diz. Pela metodologia utilizada, o Ipea fez 15 perguntas aos entrevistados e utilizou as respostas para a formulação dos indicadores sobre a economia, as instituições e sociedade. Cada indicador varia de -100 (muito pessimista) a +100 (muito otimista). No levantamento divulgado hoje, economia atingiu 24 pontos (moderadamente otimista), as instituições registraram 30 pontos (moderadamente otimista) e a sociedade marcou 7 pontos (neutro).

André Pineli explica ainda que, com o Monitor, o Ipea espera olhar com mais proximidade a economia real do País e o quanto ela é atrativa para os investidores. "As avaliações de risco-país estão muito focadas em aspectos financeiros. Não olham muito a economia real. A tentativa (do Monitor) é ver a economia sob o ponto de vista do País", afirma.

Além do Monitor da Percepção Internacional do Brasil, o instituto possui outro indicador qualitativo - o Sensor Ipea, voltado para o setor produtivo - e pretende lançar outros dois indicadores, um voltado para a percepção das famílias brasileiras e outro para a avaliação de políticas públicas.

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