Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Ipea vê recuperação da economia, mas continuidade depende da reforma da Previdência

A construção civil começa a dar algum sinal de melhora e, apesar da queda na aquisição de máquinas e equipamentos em outubro, a expectativa é de recuperação gradual da atividade econômica, aponta técnico do instituo de pesquisa

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2017 | 18h01

RIO – A construção civil começa a dar algum sinal de melhora e, apesar da queda na aquisição de máquinas e equipamentos em outubro, a expectativa é de recuperação gradual da economia nos próximos meses, avalia o técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Leonardo Mello de Carvalho.

A não aprovação da reforma da Previdência, porém, pode interromper os primeiros ares de recuperação, na avaliação do economista. "Se o governo conseguir aprovar vai ser positivo, mas se não conseguir vai perder alguns pontos de crescimento para 2018", avaliou.

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O Ipea divulgou nesta segunda-feira, 18, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) de outubro, que registrou alta de 0,1% na comparação com setembro e de 5,6% contra igual mês do ano passado. No ano, porém, a queda acumulada é de 2,7%.

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Os investimentos em máquinas e equipamentos tiveram queda de 2,4% na comparação com setembro, mas subiram 16,3% contra outubro de 2016. Já a construção civil subiu 0,2% em outubro contra setembro e 0,3% contra o mesmo mês do ano passado. No ano, máquinas e equipamentos acumulam alta de 2,4% e a construção civil queda de 6%.

Carvalho ressalta que o crescimento no País está sendo puxado pela demanda doméstica, com empresários buscando aumentar a produtividade e assim reduzir custos. Já na construção civil, o economista diz perceber alguma melhora no mercado imobiliário, mas ainda muito tímida.

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"Se nada atrapalhar daqui para frente, ou seja, se a inflação continuar baixa e o mercado de trabalho melhorando, prevemos que a construção pode ter recuperação", estima.

Ele lembra que ano de eleições costuma ser muito volátil e, portanto, é difícil prever se o governo será bem sucedido nas concessões, se a reforma da Previdência vai ser aprovada, entre outras variantes que podem impactar a economia.

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"A questão fiscal costuma ficar mais solta no ano de eleições, mas em 2018 tende não acontecer pelo comprometimento que a equipe econômica vem demonstrando", ressaltou.

Na próxima quinta-feira, 21, informou Carvalho, o Ipea fará projeções para a FBCF em 2017 e 2018, por isso não foi possível antecipar as previsões.

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