IPI menor para linha branca é prorrogado

Segundo Mantega, em troca do corte no imposto para fogões, geladeiras e móveis, fábricas terão de repassar desconto e manter vagas

BIANCA RIBEIRO, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h06

Em mais um esforço para tentar estimular a produção da indústria, o governo decidiu prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os setores de linha branca (fogões, geladeiras e máquinas de lavar) e móveis. O anúncio foi feito ontem pelo ministro da Fazenda Guido Mantega.

Para a linha branca, a prorrogação vai se estender por dois meses. Os refrigeradores continuam com redução de 15% para 5%; fogões, de 4% para zero; máquinas de lavar, de 20% para 10% e tanquinhos, de 10% para zero.

Para os móveis, que estão com alíquota de IPI zerada, a prorrogação de prazo vale por três meses. O ministro disse ainda que vai incluir neste segmento painéis de madeira, cuja alíquota do IPI cairá de 5% para zero.

Como contrapartida, os fabricantes terão o compromisso de repassar a vantagem para os consumidores e manter o nível de emprego, disse Mantega após reunir-se com empresários dos setores beneficiados, em São Paulo. "Os setores aqui presentes estão se comprometendo a repassar para o consumidor a redução do IPI, manter o índice de nacionalização e emprego", disse o ministro.

No varejo, os empresários já enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores, segundo Mantega. "Para eles não é bom, mas para mim é uma boa notícia", disse. Os industriais também se comprometeram a manter o nível de emprego. O encontro durou duas horas e contou com a participação de empresários do varejo e fabricantes de móveis e eletrodomésticos.

O ministro disse que as medidas adotadas até agora foram bem sucedidas por terem ampliado as vendas e ajudado a expandir o emprego. "Por isso resolvemos prorrogar a redução do IPI", disse.

Efeito. O ministro disse ter sido informado pelos empresários de que as vendas no setor de linha branca tiveram crescimento de 22% de janeiro a maio deste ano, graças ao benefício fiscal. Ao ser questionado se haveria consumidor suficiente para continuar comprando bens duráveis, Mantega afirmou que há novos consumidores chegando ao mercado e que a ampliação do mercado de trabalho dará conta dessa oferta.

"Vamos criar 1,5 milhão de empregos neste ano", disse o ministro. Ele lembrou que metade das famílias brasileiras ainda não têm máquina de lavar roupa, por exemplo. O ministro disse que a redução do IPI, somada à queda dos juros e dos spreads bancários e mais a ampliação da oferta de crédito deverá dar ao País condições de crescer neste ano "mais do que o do ano passado " (em 2011 o Brasil cresceu 2,7%).

A última previsão de Mantega apontava para um PIB de 3,5% neste ano. Segundo o ministro, no segundo semestre o ritmo de crescimento da economia ficará entre 3,5% e 4%. Questionado se essa previsão não estaria sendo otimista, tendo em vista que o Banco Central reduziu na quinta-feira sua projeção de crescimento do PIB para 2,5% em 2012, Mantega disse que não se tratava de "otimismo". "É realismo", disse.

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