IPI reduzido impulsiona trabalho formal, diz especialista

Isenções fiscais estimulam setores que empregam com carteira assinada, explica professor da FGV

Bianca Pinto Lima, do estadao.com.br,

18 de setembro de 2009 | 14h56

O forte aumento do trabalho formal no Brasil em 2008, revelado nesta sexta-feira, 18, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, não deve ser totalmente revertido neste ano, segundo o professor do Departamento de Planejamento e Análise Econômica Aplicados à Administração da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), Evaldo Alves. Segundo ele, os estímulos fiscais ao consumo realizados pelo governo após o agravamento da crise financeira impulsionaram setores que empregam com carteira assinada, como as indústria automotiva, de eletrodomésticos e de autopeças.

 

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Isso ocorre, segundo ele, pois esses segmentos demandam alta densidade tecnológica e, portanto, mão-de-obra mais qualificada, que geralmente trabalha dentro da formalidade. "É importante manter (as isenções) para preservar o ritmo de recuperação e não deixar a crise se aprofundar", explica o professor.

 

Ele ressalta, contudo, que ainda não é possível dizer que o Brasil recuperou todos os empregos perdidos durante o período de recessão no País, entre o final de 2008 e início de 2009. Segundo Alves, o setor informal ainda apresenta taxas de desemprego mais elevadas do que as do período anticrise. "Os dados (de emprego) mostram apenas uma recuperação, não da para falar que estamos em fase de ascensão", destaca o professor.

 

Em agosto, a criação de empregos formais foi a maior desde o início da crise. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram criadas no mês passado 242.126 vagas formais, o melhor resultado desde setembro de 2008 e um recorde para o mês.

 

De janeiro a agosto, foram geradas 680.034 postos de trabalho, o que representa uma recuperação em relação às perdas registradas em dezembro de 2008, de 654.946 vagas. Caso seja considerado o saldo de novembro (-40.821), no entanto, a conta ainda permanece negativa. O mau resultado foi repetido em janeiro (- 101.748), sendo que desde fevereiro o cadastro acumula saldos positivos.

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