Ipiranga: com R$ 2,5 mi, fundo dos EUA lucrou R$ 1,1 mi

A maior parte dos 26 investidores investigados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Ministério Público Federal por suspeita de uso de informação privilegiada no caso da venda do Grupo Ipiranga é formada por pessoas físicas. Mas é do fundo de investimentos norte-americano, cujo nome não foi ainda divulgado, a maior aplicação e lucro nominal mais vultoso com a operação até agora.Segundo o procurador da República Sady Assumpção Torres Filho, que coordena a ação do Grupo de Mercado de Capitais do Ministério Público, o fundo investiu R$ 2,5 milhões e teve ganho de 44%, o que equivale a R$ 1,1 milhão. O dinheiro faz parte dos quatro lotes bloqueados judicialmente. ?Já temos elementos para o pedido de ação civil pública?, disse nesta quarta-feira, dia 28, Torres Filho. O prazo considerado pelo MP para a abertura da ação é 23 de abril, quando expira a liminar que determinou o bloqueio. Com isso, permanecerão inacessíveis os cerca de R$ 4 milhões, somados investimentos e lucros de quatro aplicadores.De acordo com Torres Filho, as investigações estão se concentrando em investimentos com valores a partir de R$ 300 mil. ?Num primeiro momento, o pente-fino foi feito com contas acima de R$ 500 mil. Depois, baixamos o limite para pouco menos de R$ 300 mil?, explicou.Ele também detalhou as operações do fundo com sede no Estado norte-americano de Delaware, que diluiu as aplicações por três dias. ?No dia 14 (cinco dias antes do anúncio da compra da Ipiranga pelo consórcio Petrobrás, Braskem e Ultra), o fundo bancou uma pequena alta nas ações (ordinárias da Refinaria Ipiranga). No dia 15, voltou a promover alta, com nova compra. E no dia 16 apostou todas as fichas. O ganho foi de 44%?, comentou Torres. Outros investidores, com aplicações menores, chegaram a ganhar 69%, comprando e vendendo os papéis num prazo de três dias.Posição forte O diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, disse nesta quarta, dia 28, em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, que a estatal terá uma posição ?muito forte? em relação ao suposto vazamento de informações. Um dos suspeitos de ter se beneficiado da informação privilegiada é, justamente, um gerente do grupo estatal, mais especificamente, da BR Distribuidora.CVM elogiadaOs presidentes do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, e da Braskem, José Carlos Grubisich, que participavam da mesma audiência na Câmara, elogiaram a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na investigação do vazamento. ?Gostaria de registrar o apoio pela ação pronta e enérgica da CVM?, disse Wongtschowski. ?A CVM está cumprindo muito bem o seu papel?, acrescentou.?Espero que esse episódio seja esclarecido o mais rapidamente possível e que as pessoas responsáveis sejam punidas?, afirmou Grubisich, da Braskem. O diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse também que o laudo de avaliação das ações que sustentou a operação de compra do Grupo Ipiranga deverá ser divulgado nos próximos 10 ou 15 dias. Na audiência na Câmara, representantes dos trabalhadores manifestaram preocupação com a concentração no setor petroquímico depois da venda do Grupo Ipiranga. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Pólo Petroquímico do Rio Grande do Sul, Carlos Eitor Rodrigues, também manifestou preocupação dos trabalhadores do setor com possíveis demissões.

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