Ipiranga: gerente da Petrobras afastado não integrava compra

O gerente da Petrobras que estava trabalhando na BR Distribuidora e foi afastado por suspeita de uso de informação privilegiada, no caso da compra da Ipiranga, não fazia parte do grupo de pessoas envolvidas diretamente na negociação, informou o diretor de rede de postos da BR Distribuidora, Reinaldo Belotti. "Ele voltou para a Petrobras e está afastado do cargo gerencial", disse Belotti a jornalistas nesta terça-feira, durante lançamento de um diesel especial da Petrobras voltado para o mercado náutico (lanchas e barcos particulares). De acordo com o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o funcionário ficará longe da empresa até a conclusão das investigações de uma comissão interna criada em 23 de março e que tem 30 dias, desde a data de criação, para encerrar os trabalhos. "Com exceção dessa pessoa, não temos conhecimento de outra (pessoa sendo investigada). Foi criada uma comissão e ela que vai fazer essa apuração", disse o diretor sem querer revelar o nome do gerente afastado. A operação A Petrobras, a Braskem e a Ultra compraram a Ipiranga por cerca de US$ 4 bilhões no dia 19 de março. As ações da empresa comprada tiveram oscilações relevantes antes do anúncio oficial da aquisição, o que levou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério Público a bloquearem algumas operações realizadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Entre as operações, quatro das 23 pesquisadas foram identificadas como prováveis uso de informação privilegiada, entre elas a do gerente da BR Distribuidora, cujo nome está sob sigilo de Justiça. Costa informou ainda que após a compra da Ipiranga já iniciou conversas com a Suzano e a Unipar para tentar formar um pólo petroquímico do Sudeste, a exemplo do que foi feito no Sul com os parceiros na compra da Ipiranga. Ele estimou que a discussão para a formação desse pólo estará concluída no prazo de um ano. "Está sendo discutida com os principais ´players´ e isso passa pelo Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Estamos em fase inicial, acredito que entre 6 meses e 1 ano teremos um novo desenho pronto", afirmou o diretor. Costa admitiu a possibilidade das duas companhias serem sócias do Comperj, como parte do fortalecimento da estrutura petroquímica do Sudeste. "A idéia de criar um pólo petroquímico no Sudeste é tornar a indústria petroquímica competitiva nacional ou internacionalmente. As petroquímicas estão cada vez mais internacionalizadas", ressaltou Costa. "Depois do remanejo societário do Sul, iniciar um pólo no Sudeste é fundamental para a indústria petroquímica brasileira", concluiu.

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