Ipiranga nega vazamento de informações sobre operação

A forte movimentação com as ações da Ipiranga e a alta na cotação dos papéis chamou a atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A área técnica da autarquia já solicitou explicações à empresa. Porém, o empresário Eduardo Eugênio Gouvêa Viera, um dos sócios controladores do grupo Ipiranga, não acredita em vazamento de informações durante o processo de negociação. Petrobras, Ultra e Braskem anunciaram no final de semana a compra do grupo Ipiranga. Porém, na sexta-feira, dia 16, já havia rumores sobre a operação.A CVM acionou ainda a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para obter informações sobre quem operou com os papéis do grupo Ipiranga naquela data. Normalmente com pouca liquidez no mercado, as ações da Ipiranga tiveram um volume de negócios considerado acima do normal e ainda subiram 3,57% em um dia em que o Índice da Bovespa, principal termômetro da bolsa paulista, registrou queda de 1,27%.O presidente da CVM, Marcelo Trindade, esclareceu que a intenção da Superintendência de Acompanhamento de Mercado do órgão é investigar se houve algum vazamento de informações que explique a forte alta. No mercado financeiro, o súbito interesse pelos papéis da empresa alimentou ainda mais os rumores de que o negócio havia sido fechado. Vieira disse que a proposta de compra só chegou aos acionistas controladores na noite de sexta-feira e foi fechada na madrugada de domingo. Disse ainda que não comprou nenhuma ação da empresa e destacou que, após vender sua fatia na Ipiranga, irá buscar novos projetos por meio de sua holding, a Parnásio. Pressão na CâmaraNesta segunda-feira, o vice-líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), decidiu apresentar requerimento à Mesa da Casa pedindo explicações à CVM sobre as operações com papéis do grupo Ipiranga. De acordo com números apresentados pelo deputado, no dia 6 de fevereiro, a Ipiranga Distribuidora tinha vendido apenas 100 lotes de ações, com preço médio de R$ 35 por ação.Pouco mais de um mês depois, já na semana que antecedeu o anúncio da compra da Ipiranga, o volume de negociações subiu bastante. No dia 13, oram vendidos 900 lotes, com preço médio de R$ 40 cada ação. No dia seguinte, mais 900 lotes tiveram sua venda efetuada já com valor médio de R$ 45. Na sexta-feira, praticamente às vésperas do anúncio da compra, houve negociação de 6 mil lotes, com preço médio de R$ 60 por ação. Depois da divulgação da transação durante o fim de semana, as ações aumentaram mais ainda, passando de R$ 100 por ação."Se, por exemplo, foi apenas uma pessoa ou um grupo que comprou todas essas ações antes de ser revelada a venda da Ipiranga, o lucro obtido foi bem alto. Ou seja, quero informações da CVM para saber exatamente quem comprou essas ações e saber se houve vazamento de informações privilegiadas", disse o deputado, que deverá ser eleito presidente do PFL no próximo dia 28. A oferta pela Ipiranga foi "irrecusável", segundo Vieira. O empresário negou que o grupo tenha recebido uma proposta anterior de compra da Petrobras ou qualquer outra companhia. "Olho nos seus olhos e digo que desconheço qualquer outra proposta já feita", disse. Ele explicou ainda que a operação deve dar maior competitividade ao grupo para disputar mercado no cenário internacional.Recursos Segundo informações de Tércio de Souza, diretor da consultoria Estater, que assessorou o fechamento do acordo de venda da Ipiranga, a Petrobras irá desembolsar US$ 1,3 bilhão na transação e a Braskem, US$ 1,1 bilhão. Com esses valores, somados à fatia da Ultrapar, que será financiada por meio de uma emissão de ações, o montante final do negócio aproxima-se de US$ 4 bilhões. "Trata-se da maior aquisição privada já realizada no Brasil", destacou Souza.De acordo com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, a estatal utilizará recursos próprios na transação - que não estava prevista no planejamento estratégico da empresa até 2012. Conforme o executivo, além de representar "um passo a mais de ação ativa da Petrobras no setor petroquímico", o acordo traz um avanço importante na organização societária da Copesul, cujo controle atualmente é compartilhado entre Braskem e Ipiranga Petroquímica, e vai permitir o desenvolvimento do Pólo de Triunfo (RS).O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, afirmou que a fatia da companhia no negócio com o Grupo Ipiranga será paga com recursos próprios e por meio de linhas de financiamento já disponíveis. O executivo não detalhou, entretanto, qual será a parcela de empréstimos a ser usada, nem quais bancos estão envolvidos na operação.

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