Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

IPO da CSN Mineração movimenta R$ 5,2 bilhões

Dono de 90% da unidade, grupo de Benjamin Steinbruch vai embolsar R$ 3,6 bilhões e usará recursos reduzir dívida da siderúrgica

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 14h18

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Benjamin Steinbruch, concluiu a abertura de capital de sua unidade de mineração, que movimentou cerca de R$ 5,2 bilhões. Desse total,  R$ 3,6 bilhões vão ao caixa da controladora, que foi vendedora de parte de suas ações na operação, apurou o Estadão.

Tais recursos, conforme prometeu a CSN a investidores e credores, serão utilizados para a redução da sua dívida, hoje acima de R$ 30 bilhões. A estreia da ação da CSN Mineração na B3, um dos lançamentos mais aguardados no mercado acionário e promessa de abertura de capital há mais de uma década, será na próxima quinta-feira, dia 18. A empresa chega avaliada na bolsa brasileira em R$ 47,5 bilhões.

A ação da CSN Mineração foi precificada em R$ 8,50, no piso da faixa indicativa de preço, que ia até R$ 11,35, conforme fontes. A favor da oferta, comentaram fontes que acompanharam o processo, estava o fato de o preço do minério de ferro estar no pico, em função da menor produção  - provocada pelas restrições impostas pela pandemia e pelo fato de a Vale ainda estar tentando recuperar seus volumes, perdidos após a tragédia de Brumadinho (MG).

Do total vendido no IPO, 70% das ações foram para investidores estrangeiros, conforme apurou o Estadão. Steinbruch - ao lado de sua filha Victoria, que deve ser a sucessora do pai na gigante brasileira do aço -  acompanhou de perto todo o processo do IPO da unidade de mineração.  

Pressão de endividamento

O IPO da subsidiária tira uma pressão de anos que recai sob a CSN, por conta de seu endividamento. Depois de promessas de vendas de ativos que ao longo dos anos não foram cumpridas, Steinbruch coloca uma pedra sobre o assunto ao demonstrar ao mercado que está focado em reduzir a dívida da siderúrgica.

Por conta da demora, o mercado seguia descrente de que Steinbruch faria algum desinvestimento, mas o executivo seguiu em frente com seus planos, mesmo reduzindo o preço pretendido após interação inicial com investidores. No princípio, o valor almejado para a avaliação da companhia era acima de R$ 60 bilhões. 

A venda de uma fatia da unidade de mineração como forma de angariar recursos com o objetivo de reduzir o nível do endividamento foi anunciada há alguns anos, juntamente com a possibilidade de o grupo se desfazer de outros ativos. A única operação que tinha sido  realizada pela CSN, antes do IPO da unidade de mineração, foi a venda da fabricante de latas Metalic, há quase cinco anos. Agora, a empresa vai começar a preparar a estreia de mais uma subsidiária à Bolsa, a unidade de cimentos, operação para a qual já contratou o Bradesco BBI.

A CSN Mineração congrega duas minas: a Namisa e a famosa Casa de Pedra, produtora de um dos minérios de maior qualidade da região produtora. A companhia de Steinbruch possui quase 90% da CSN Mineração. Um consórcio asiático detém o restante. Além da CSN foram vendedores na oferta dois sócios asiáticos, a Posco e a Japão Brasil Minério de Ferro Participações (JBMF), mas seguem como acionistas. Após o IPO, a CSN tema gora participação de 76% na sua unidade de mineração. 

Estratégia de expansão

Além da venda de ações dos acionistas, a CSN Mineração aproveitou a oferta para captar recursos de olho em sua estratégia de expansão. A oferta primária, ou seja, que levará os recursos para o caixa da CSN Mineração, somou R$ 1 bilhão, apurou o Estadão.

Conforme o prospecto da oferta, a companhia pretende utilizar o recurso na execução de seus projetos de expansão, tais como o projeto Itabirito P15 e os Projetos de Recuperação de Rejeitos de Barragem Pires e Casa de Pedra. A projeção da companhia é que com seus projetos de expansão seja possível acrescentar uma produção de 103 milhões de toneladas por ano, com investimento estimado em R$22,7 bilhões até 2033. Sua produção anual hoje é de 33 milhões de toneladas de minério de ferro.

“A CSN, apesar de estar em linha com os múltiplos operacionais das demais empresas do setor, possui projetos de crescimento significativos, que visam dobrar de tamanho até 2025 e triplicar até 2033. Nenhuma empresa do segmento possui projetos dessa magnitude, e se a empresa conseguir implementá-los, acreditamos que será excelente para a companhia e seus acionistas. No entanto, no passado, a empresa falhou em entregar um projeto de mesmo tamanho, o que nos fez considerar em nossa avaliação somente os projetos com licenças concedidas e com estágios de engenharia já em algum grau básico”, avaliaram os analistas Tasso Vasconcellos, Felipe Ruppenthal e Lucas Chaves, em relatório da Eleven Financial. 

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