IPOs abrem oportunidade de crescimento para empresas
Conteúdo Patrocinado

IPOs abrem oportunidade de crescimento para empresas

Processo de abertura de capital exige transformação na governança e transparência, mas há profissionais no mercado que ajudam nessa transição

B3, Estadão Blue Studio
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

12 de janeiro de 2022 | 08h00

As empresas que buscam a expansão de seus negócios têm visto no mercado de capitais uma alternativa para a captação de recursos. Em 2021, 46 companhias realizaram suas ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) – em 2020, foram 28 –, movimentando mais de R$ 65 bilhões. Essa onda de novas empresas na B3, a bolsa do Brasil, demonstra como os empresários perceberam o IPO como um mecanismo para impulsionar suas estratégias, gerando mais inovação, mais empregos e renda, além de contribuir para o desenvolvimento da economia do País.

Foi de olho no processo de expansão que a Mobly, empresa do segmento de móveis e living, realizou a abertura de capital, que garantiu à companhia movimentar cerca de R$ 800 milhões. “O ano de 2019 foi muito bom, e começamos a pensar em captar mais dinheiro para crescer e acelerar o investimento”, disse Marcelo Rodrigues Marques, sócio da Mobly.

O executivo explica que o processo de abertura de capital levou cerca de seis meses, mas isso porque a empresa já contava com uma política de controle, governança e área jurídica estruturada. “Antes de entrar em um nível de governança, é preciso estar com esse dever de casa pronto e estruturado. Se pretende abrir capital, tem que preparar a empresa antes”, ensina o executivo.

De acordo com Rogério Santana, diretor de Relacionamento com Empresas e Investidores Institucionais da B3, as companhias interessadas em abrir capital precisam entender que, com a abertura de capital e a chegada de novos sócios, é preciso mudar algumas dinâmicas do negócio. “A empresa passa a ter o compromisso de prestar contas de qualquer tomada de decisão, precisa publicar seus resultados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ficar de olho em sua solidez”, diz o executivo da B3.

Segundo Santana, é necessário que, antes de optar por um IPO, a empresa saiba qual é seu principal motivador e ter bem definido o seu planejamento. Esse motivador pode ser crescer ampliando plantas, comprando concorrentes ou internacionalizando os negócios. “Tudo isso precisa estar bastante claro”, alerta.

Tendo isso em mãos e consciente do seu cronograma, a companhia que deseja abrir capital necessita se transformar em uma sociedade anônima. Ou seja, terá de mudar sua origem e, dessa forma, precisará ver os impactos desse processo para estar organizada internamente em termos tributário, contábil, de governança e até de cultura interna. “A empresa, ao receber um investidor estratégico, precisa levar em consideração diversos tópicos, o que inclui autoconhecimento, reflexão e estratégia”, avalia Santana.

Para começar, segundo o diretor da bolsa, é necessário fazer uma reestruturação societária, o que inclui uma demonstração financeira completa e eficiente, auditoria e todo o processo de governança, como a criação de um comitê e de políticas internas. Somado a isso, é necessária a criação de áreas como compliance, auditoria e relações com investidores (RI) – obrigatória para empresa que abre capital.

Há no mercado assessores financeiros que ajudam a estruturar a governança interna e a elaborar documentos que formalizam o dia a dia da companhia na CVM. Para a abertura de capital há, ainda, um processo mais formal constituído da apresentação de uma série de documentos demonstrando quem é a empresa e seus acionistas, os fatores de risco, bem como quais são a política de remuneração, o controle interno e de sustentabilidade, consideradas as diretrizes que vão definir a forma de atuação e seus respectivos administradores.

“É necessário, também, ter evidências de todas as informações prestadas e um banco de dados que comprove as informações, pois elas serão analisadas pela B3 e pela CVM. O processo, que pode levar de um a dois anos, é bastante detalhado, mas com a ajuda correta não é tão complicado”, afirma Santana.

O tempo que vai levar, no entanto, depende da complexidade da companhia e do seu cronograma. Além disso, a abertura de capital também leva em consideração fatores externos, pois as condições de mercado vão ditar o ritmo. Isso significa que é preciso ligar o radar para ver as condições econômicas do mercado em geral e o nicho em que se pretende atuar.

“Na maioria das vezes, não é o empresário que provoca a abertura do capital, mas sim os assessores que conhecem o mercado e sabem qual é a demanda para o negócio, principalmente quando o mercado está aquecido. Por exemplo, muitos setores novos estão entrando. É preciso estar atento”, diz.

Os cuidados não terminam por aí. Existem regras específicas – rito, forma e ambiente. É necessário ter investidores treinados, uma governança madura e estruturada e previsibilidade de custos fixos com a criação e a manutenção do RI, jurídico e auditoria.

Os custos variáveis também precisam ser previstos. Os honorários do banco representam um percentual da operação e, no Brasil, esses custos relacionados ao IPO podem chegar a 4,9%. Além disso, cada vez mais os dados ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) estão sendo demandados pelos investidores. “Fundos de investimento e o mercado de capitais têm dado mais atenção ao tema, que passou a ser um ponto fundamental na tomada de decisões”, conclui Santana.

Para Marques, da Mobly, todo esse processo vale a pena e traz um retorno muito positivo para a companhia. “Nós nos tornamos mais conhecidos, as negociações comerciais ficaram mais fáceis, e a conversa com parceiros também ficou muito forte”, diz.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.