IR alterado pode aumentar tributos

Quem tem salários próximos a R$ 1.500,00 poderá arcar com um aumento de tributos, mas aqueles que recebem mais poderão ter redução destes tributos. Isso pode acontecer caso o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, e técnicos da secretaria decidam aprovar a alteração do cálculo do Imposto de Renda de pessoas físicas que mantenha o limite de isenção em R$ 900,00 e reduza as alíquotas atuais, mas elimine as deduções com dependentes, contribuição ao INSS e despesas médicas e educação. A adoção de alíquota única de 7,7% elevará o imposto anual de quem recebe até R$ 1.861,00 por mês, ou R$ 22.332,00 por ano, e reduzirá o de quem ganha acima disso. Se a alíquota única for de 10%, quem recebe até R$ 2.278 por mês, ou R$ 27.336 por ano, sofrerá aumento de tributação anual. A conclusão é da ASPR Auditoria e Consultoria em estudo feito pelos consultores Ary Silveira Bueno e Paulo Rogério Magri.No estudo foram considerados contribuintes com salários de R$ 1.500, R$ 3.000, R$ 5.000 e R$ 10.000, todos com dois dependentes e pagamento de contribuição previdenciária anual de R$ 1.753,20.O contribuinte que recebe R$ 1.500 não tem deduções com educação ou saúde. "Nessa faixa de renda, dificilmente o contribuinte pode bancar essas despesas", justifica Bueno. O assalariado com rendimento mensal de R$ 3.000 tem despesas com educação com um dependente e abate R$ 1.700. Os contribuintes com renda de R$ 3.000 e de R$ 5.000 têm despesas educacionais e médicas e abatem, por conta disso, R$ 1.700 e R$ 3.600, respectivamente.Comparações entre a tabela atual e a em estudoPela tabela atual, o contribuinte com renda mensal de R$ 1.500 e anual de R$ 18 mil paga imposto de R$ 493,02 na declaração anual, equivalente a 2,74% de sua renda. Por uma tabela com alíquota de 7,7% e sem direito a deduções, ele pagará R$ 554,40, ou seja, 3,08% da renda anual. Se a alíquota for de 10%, o tributo será de R$ 720, ou 4% de sua renda anual. Em relação à tabela atual, há um aumento da carga tributária de 12 4%, com a alíquota de 7,7%, e de 46%, com a alíquota de 10%.No caso do contribuinte com salário de R$ 5.000 (renda anual de R$ 60 mil), a carga cai. Pela tabela atual ele paga, na declaração anual, imposto de R$ 9.646,37, equivalentes a 16,08% da sua renda. Com a alíquota única de 7,7% e sem deduções ele pagará R$ 3.788,40, ou 6,31% da sua renda. Se a alíquota for de 10%, o tributo será de R$ 4.920, ou 8,20% da renda anual. A carga tributária, em relação à tabela atual, tem redução de 60 7% no cenário com alíquota de 7,7%, e de 49%, com a alíquota de 10%.Na hipótese de o governo decidir reduzir o limite de isenção para cerca de R$ 500, eliminar as deduções e adotar alíquota única de 7,7%, a situação fica ainda pior para quem recebe menos. Aí, o assalariado com renda mensal de R$ 1.500 pagará imposto anual de R$ 924, o que representa 5,13% de seu rendimento anual e aumento da carga tributária de 87,41%. Nesse mesmo cenário, o assalariado com renda mensal de R$ 5.000 pagará imposto anual de R$ 4.158, o que equivale a 6,93% do rendimento anual e redução da carga tributária de 56,89%.

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