IR: dicas para quem vai investir restituição

Contribuintes que receberam ontem a restituição do Imposto de Renda (IR) começam a fazer contas para saber como usarão os recursos. Analistas recomendam que, primeiramente, o contribuinte use o dinheiro para quitar suas dívidas, já que a taxa de juros das linhas de crédito estão muito altas (veja mais informações no link abaixo). Para quem está com seus pagamentos em dia, a principal recomendação é economizar para um fundo de reserva."O primeiro passo para quem quer ter uma vida financeira mais tranqüila é a formação de uma reserva de emergência, em que o total dos recursos deve ser de pelo menos três vezes o valor das despesas mensais. Para quem quer maior estabilidade, essa reserva pode chegar a seis vezes o valor das despesas fixas no mês. Tais recursos serão muito importantes para situações inesperadas, em que o contribuinte teria que optar por uma linha de crédito. Com o fundo de reserva, o risco de se cair na ciranda financeira é bem menor", afirma o analista de investimento, Mauro Halfeld.Segundo ele, os recursos do fundo de reserva devem ser direcionados para aplicações com baixo risco, como os fundos de investimentos referenciados DI (pós-fixados). Apesar da nova realidade para os fundos - marcação a mercado dos títulos que compõem a carteira, o que pode provocar oscilações nas cotas, inclusive negativas -, o produto ainda é recomendado para aplicações que têm uma data definida para resgate ou, especificamente nesse caso, para aplicações que formam um saldo de reserva.Poupança tem rendimento menorExistem, de fato, investimentos que não apresentam essa oscilação, como a caderneta de poupança. Porém, em troca de segurança, o investidor terá que aceitar uma rentabilidade menor. "Na comparação entre o fundo DI e a poupança, é certo que a poupança tem segurança maior, mas o rendimento pode ficar abaixo dos índices de inflação", destaca Halfeld.Para se ter uma idéia, do dia 1º de julho de 1994 (início do Plano Real) até o dia 31 de maio de 2002, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) apresentou alta de 171,84% acima do Índice Geral dos Preços DI (IGP-DI), já descontando-se a alíquota de Imposto de Renda (IR) de 20% que incide sobre os ganhos das aplicações atreladas às taxas de juros. Na poupança, segundo ele, esse ganho foi de 59,4% acima do IGP-DI.CDBs também oferecem riscoJá os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), outra aplicação que possui rendimento vinculado às taxas de juros, também têm risco de oscilação. Apesar de apresentar uma taxa de juros prefixada, no caso dos CDBs com juros pré em que o investidor sabe quanto receberá no vencimento do papel, o investidor corre o risco das oscilações no mercado de juros, caso necessite resgatar os recursos antes do vencimento do título. Mesmo os produtos com juros pós-fixados, em que o investidor sabe que receberá no vencimento uma taxa compatível com o comportamento dos juros, há o mesmo risco para resgates antecipados.A diretora técnica do Instituto Brasileiro de Certificação de Planejadores Financeiros (IBCPF), Márcia Dessen, lembra um outro risco dessa aplicação. Trata-se do risco de solidez da instituição que emitiu o CDB, já que ela será a única responsável pelo pagamento da aplicação e de seus rendimentos. No caso dos fundos, os recursos captados junto aos investidores são distribuídos entre vários papéis, tanto públicos quanto privados.Halfeld lembra que os CDBs têm outra desvantagem: a cobrança de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) a cada vencimento do título. "Se o investidor optar por um papel mais longo para fugir desse custo, corre o risco de ficar com uma taxa de juros defasada, caso a opção tenha sido por um título com taxa de juros prefixada."

Agencia Estado,

18 de junho de 2002 | 17h05

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