IR: tabela defasada abrange mais contribuintes

O governo mais uma vez não corrigiu a tabela de base de cálculos do Imposto de Renda (IR) de pessoas físicas e com isso, de forma indireta, acabou aumentando o tributo para o contribuinte. Só com essa medida, o Tesouro vai arrecadar R$ 2 bilhões a mais. Para este ano a Receita Federal espera conseguir R$ 30 bilhões com a arrecadação do IR de pessoa física.A tabela de base de cálculos não é corrigida desde 96, o que estaria ocasionando em uma defasagem de 30% nos valores de dedução e no limite de isenção. Se a tabela estivesse corrigida de acordo com a inflação acumulada no período, quem recebesse até R$ 1,17 mil mensais estaria isento. Como não houve a correção, o limite de isenção continua em R$ 900 mensais.Hoje todas as pessoas que recebem R$ 10,8 mil tributáveis por ano são obrigadas a pagar uma alíquota de 15% no Imposto de Renda. E quem recebe até R$ 900 mensais são isentas. Já aquelas que recebem mais de R$ 21,6 mil por ano são obrigadas a pagar uma alíquota de 27,5%. No entanto, estas quantias são as mesmas desde 96. Segundo o consultor tributário, Ary Bueno, muitas pessoas que antes não pagavam o IR hoje estão pagando devido a tabela não estar corrigida. Bueno afirma que os mais prejudicados são as pessoas de menor renda. "Antes eles não pagavam nada. Hoje estão tendo que arcar com os impostos." Outro exemplo são as pessoass que receberam dissídios salariais. Como grande parte das categorias tiveram correção no salário a base de contribuintes aumentou.Segundo a assessoria de imprensa da Receita Federal o governo não se manifestou sobre a correção da tabela.Segundo Sérgio Kawasaki, advogado tributarista do escritório Rodrigues do Amaral, para o governo não compensa corrigir a tabela.

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