Irã retira da Europa US$ 75 bi em reservas, diz jornal

Premiê britânico anunciou que congelaria fundos do maior banco iraniano ao Irã em encontro com Bush

PATRÍCIA FORTUNATO, Agencia Estado

16 de junho de 2008 | 12h54

Cerca de US$ 75 bilhões em reservas estrangeiras do Irã, sob o risco de congelamento, foram retirados de bancos europeus, de acordo com uma publicação semanal iraniana. Segundo a Dow Jones, parte das reservas foi convertida em ativos reais, como ouro e ações, e o restante foi transferido para bancos asiáticos. A publicação atribuiu a informação a Mohsen Talaie, representante de assuntos econômicos do Ministério do Exterior do Irã.   Veja também:   Ao lado de Bush, Brown anuncia sanções britânicas ao Irã   Em entrevista ao lado do presidente dos EUA, George W. Bush, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que congelaria os ativos do Melli, maior banco do Irã, para desencorajar o desenvolvimento de armas nucleares. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ordenou que bancos do país, especialmente o Bank Melli, transfiram seus ativos para o Banco Central do Irã, já que a União Européia prepara o terreno técnico e legal para congelar os recursos do Melli, diz a publicação. As operações do Melli na Europa são cada vez mais observadas. A agência do banco em Hamburgo foi inspecionada por autoridades alemãs, que pediram que os negócios sejam interrompidos até que a investigação seja concluída. A União Européia informou nesta segunda-feira que não chegou a um acordo sobre a imposição de novas sanções ao Irã por causa do programa nuclear iraniano, aparentemente contradizendo declarações do premiê britânico, Gordon Brown, que anunciou novas medidas contra os setores financeiro e energético do Irã.   Brown falou após conversar com o presidente americano, George W. Bush, em Londres, e anunciou que a UE tomaria medidas para congelar os ativos do maior banco iraniano no exterior e também providências contra os setores de gás e petróleo do país. Um diplomata britânico disse que as medidas foram acordadas pelos ministros do Exterior do bloco durante reunião em Luxemburgo, nesta segunda, e entrariam em vigor em alguns dias, mas uma porta-voz do bloco disse que novas sanções ao Irã não foram discutidas pelo bloco.   "Não houve discussões sobre sanções hoje. Não sei nada a respeito disso", disse Cristina Gallach, porta-voz do chefe da política externa do bloco, Javier Solana, que neste fim de semana apresentou ao Irã uma nova proposta de incentivos de grandes potências mundiais para que o país suspenda as atividades de enriquecimento de urânio. Teerã voltou a descartar a suspensão do enriquecimento. O país rejeita as suspeitas de que esteja construindo uma bomba atômica e insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos.   Uma porta-voz da Eslovência, que detém a Presidência rotativa da UE, também afirmou não ter conhecimento de qualquer acordo sobre sanções acertado nesta segunda-feira.   (Com Reuters)

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