Iraque e locaute dos portos "vão desacelerar as coisas", diz Hoenig

Os recentes indicadores com resultados abaixo das expectativas - atividade industrial, imóveis e relatório sobre desemprego -, combinado com o crescente nervosismo em relação a uma potencial guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, intensificaram as preocupações sobre Wall Street de que a recuperação dos EUA pode ser adiada, disse o presidente do Federal Reserve Bank de Kansas City, Thomas Hoenig. O locaute dos portos da Costa Oeste apenas acrescentou mais abatimento aos mercados financeiros.A incerteza criada pela perspectiva de uma guerra e o locaute nos portos da Costa Oeste "vão desacelerar as coisas", afirmou Hoenig, que este ano não está entre os membros com direito a voto no Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc). Contudo, ele disse que avalia esses fatores mais como um pequeno obstáculo no caminho de recuperação da economia do que como um desafio maior.As companhias dos estados que pertencem ao distrito do Fed de Kansas City - que inclui Colorado, Kansas, Nebrasca, Oklahoma, Wyoming, norte do Novo México e oeste do Missouri - disseram que estão adotando a atitude "esperar para ver" para investir, por causa do Iraque, disse. Segundo Hoenig, nas últimas semanas ele sentiu que quando as companhias se ajustarem ao ambiente mais incerto, vão aprender a superar esses obstáculos."Nós teremos de olhar para esses riscos. O elemento incerteza você não pode colocar nas probabilidades, mas os riscos você pode. E eu não vejo que eles estejam piorando, mas eu estou cauteloso com eles. Acredite em mim, eu sou cauteloso com eles", acrescentou o presidente do Fed de Kansas City. Outro risco é se o consumo, que representa 2/3 do crescimento econômico, começar a se abater antes que os investimentos corporativos tenham uma chance de contribuir para o crescimento, alertou Hoenig. "Se o consumo vacilar antes de uma melhora nas perspectivas de lucro e nos investimentos, então a economia pode crescer mais devagar", disse.Segundo ele, os recentes indicadores mostram que os consumidores estão "se segurando" e continuam a impulsionar a recuperação, graças em parte, a explosão do refinanciamento hipotecário. A política de estímulo fiscal e monetário também está ajudando a dar suporte à recuperação econômica, afirmou Hoenig.

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