IRB prepara oferta de ações estimada em até R$ 4 bilhões

Ressegurador já está selecionando bancos para coordenar operação; pedido de oferta pode ser feito à CVM em junho

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2015 | 02h05

O ressegurador IRB Brasil Re está selecionando os bancos que vão estruturar a sua abertura de capital que pode movimentar de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões, apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Além dos seus acionistas Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil, que devem coordenar a operação, outras duas instituições estrangeiras devem ser escolhidas nas próximas semanas para a definição do sindicato.

O objetivo é enviar o pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em junho, logo após a conclusão da abertura de capital da Par Corretora, que tem exclusividade na venda de seguros nos canais da Caixa Econômica Federal. Ambas devem servir, segundo fontes, de termômetro para o IPO bilionário da Caixa Seguros, previsto para o terceiro trimestre deste ano.

A oferta do IRB deve ser primária, ou seja, o capital movimentado irá para o caixa da empresa. No entanto, ainda não foi batido o martelo quanto à possibilidade de parte da oferta ser secundária (neste caso, os recursos captados vão para os sócios). Parte dos sócios já teria escolhido por uma oferta somente primária, mas esse ponto ainda pode sofrer alteração, de acordo com a mesma fonte.

Isso porque especula-se no mercado a possibilidade de o Itaú Unibanco se desfazer de parte ou da totalidade de sua participação pelo fato de o investimento no IRB não ser foco de atuação da instituição. Desde o ano passado, o banco tem reduzido o risco da sua operação em seguros, focando somente nos negócios distribuídos no varejo bancário. O Itaú vendeu a carteira de grandes riscos em 2014 para a americana Ace e já sinalizou ao mercado que poderá se desfazer de outros ativos.

Privatização. A abertura de capital do IRB marca o último passo do seu processo de privatização. O movimento foi aprovado pelo conselho de desestatização da companhia e deveria ocorrer até 2018. No entanto, em entrevista à imprensa em 2013, o presidente do IRB, Leonardo Paixão, afirmou que pretendia preparar a empresa para o IPO até 2015, para poder aproveitar as janelas de mercado.

Fundado em 1939, o IRB detinha o monopólio do mercado de resseguros até 2007. O resseguro é uma espécie de seguro do seguro, usado para diluir os riscos em grandes contratos, como apólices de grandes plataformas de petróleo ou hidrelétricas.

Com a abertura do setor e aumento da concorrência, a companhia perdeu participação de mercado e foi forçada a se reestruturar para ser mais competitiva. Desde então, mais de 100 companhias desembarcaram no País.

Em 2010, o IRB iniciou um processo de desestatização, que resultou na aquisição de 20,51% do IRB pela BB Seguridade, em 2013, que passou a compor o bloco de controle com o Tesouro Nacional, Bradesco, Itaú e o Fundo de Investimentos em Participações Caixa Barcelona, da Caixa Econômica.

Em dezembro passado, o ressegurador teve aprovada a reforma do seu estatuto social para alterar o número de ações e contemplar papéis em tesouraria, aumentando rumores sobre sua abertura de capital. Com isso, a fatia da BB Seguridade foi alterada de 20,51% para 20,43%.

Com 34% de participação de mercado, o IRB registrou lucro líquido de R$ 130,2 milhões neste primeiro trimestre, com crescimento de 211,4% em relação ao mesmo intervalo de 2014. O ressegurador tem patrimônio líquido de R$ 2,8 bilhões e R$ 13,5 bilhões em ativos totais.

Procurado, o IRB não comentou. Os bancos acionistas, questionados pela reportagem, também não se pronunciaram.

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