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Irlanda anuncia saída do programa de ajuda financeira

O primeiro-ministro da Irlanda, Enda Kenny, disse que seu país vai sair do programa de assistência financeira de 67,5 bilhões de euros em dezembro e não vai buscar uma linha preventiva de crédito. "Estamos saindo do programa de ajuda em uma posição forte", disse Kenny ao Parlamento irlandês em Dublin, depois de uma reunião especial do gabinete de governo.

RENATO MARTINS, Agencia Estado

14 de novembro de 2013 | 14h32

O primeiro-ministro afirmou que a confiança dos investidores na Irlanda melhorou e que as taxas de retorno dos bônus irlandeses estão em níveis históricos de baixa. Segundo ele, o governo da Irlanda tem 20 bilhões de euros em reservas para eventuais emergências.

"Esta é a decisão certa para a Irlanda e agora é o momento de tomar essa decisão", disse Kenny. Ele advertiu que sair do programa de ajuda não significa o fim de decisões econômicas difíceis para a Irlanda, mas ressalvou que as condições estão melhorando lentamente. "Ainda temos um longo caminho a trilhar, mas estamos, claramente, nos movendo na direção certa", acrescentou.

Kenny disse ainda que "este é o último de uma série de passos para a Irlanda retornar a condições econômicas, orçamentárias e de financiamento normais. Como a maior parte dos demais governos soberanos da zona do euro, a partir de 2014 nós estaremos em posição de obter financiamento normalmente nos mercados".

O primeiro-ministro também afirmou que seu governo "vai trabalhar mais de perto" com a chanceler alemã, Angela Merkel, para sustentar a recuperação da Irlanda, e que o banco de desenvolvimento alemão KFW (Kreditanstalt für Wiederaufbau) deverá ajudar a prover crédito para empresas irlandesas.

Karl Whelan, professor de Economia da University College Dublin, comentou que o governo irlandês pode ter sido obrigado a sair do programa de ajuda sem ter estabelecido uma "rede de segurança" financeira porque teve dificuldades em chegar a um acordo sobre isso com a Alemanha, já que os partidos políticos alemães estão em meio a negociações delicadas para a formação de uma nova coalizão de governo.

Whelan observou que os próximos testes de estresse dos bancos da zona do euro poderão mostrar que eles precisam de recursos para capitalização. "Quem sabe, isso poderá ser um gatilho para a Irlanda precisar de algum tipo de rede de segurança naquele momento", acrescentou.

Em Bruxelas, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse que o governo irlandês "merece cumprimentos" pela maneira como lidou com o programa de ajuda. "Estamos confiantes de que todas as medidas necessárias serão implementadas. Por isso, temos confiança na capacidade do governo irlandês para tomar todas as medidas apropriadas onde elas forem necessárias", acrescentou.

O comissário de Assuntos Econômicos da União Europeia, Olli Rehn, disse que "hoje é um dia bom para a Irlanda". Ele observou que a Irlanda acumulou um bom "colchão" de reservas e está bem posicionada para tornar durável sua saída dos programas de ajuda, mas observou que ainda há desafios a superar. "Graduar-se do programa será uma mensagem muito clara aos mercados e aos provedores internacionais de crédito de que o esforço de ajuste implementado na Irlanda, com o apoio de seus parceiros europeus e internacionais, valeu a pena", afirmou Rehn.

Também em Bruxelas, o ministro irlandês das Finanças, Michael Noonan, disse que a Irlanda tem recursos mais do que suficientes para financiar a si mesma em 2014, mas deverá voltar ao mercado de bônus em janeiro ou em fevereiro. Falando ao chegar à capital belga para uma reunião dos ministros das Finanças dos países da zona do euro, Noonan lembrou que a necessidade de financiamento do país para o próximo ano está na casa de 6 a 7 bilhões de euros, enquanto as reservas superam os 20 bilhões de euros. "Não teremos que tomar empréstimos no próximo ano, mas pretendemos voltar ao mercado em janeiro ou em fevereiro", acrescentou.

Em Berlim, um porta-voz do governo da Alemanha elogiou a decisão da Irlanda, qualificada como "um passo significativo, porque é o primeiro país da zona do euro a completar com sucesso um programa. Chegou o tempo para que a Irlanda volte aos mercados de maneira sustentável, e ela está suficientemente forte para não precisar de novos programas de crédito".

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse que "as autoridades irlandesas estabeleceram um histórico muito forte de implementação de políticas. Isso é um bom augúrio, no momento em que a Irlanda sai do programa apoiado pela UE e pelo FMI".

Depois do discurso de Kenny, o prêmio de risco dos bônus irlandeses em relação aos Bunds alemães de 10 anos estava inalterado em 181 pontos-base. (Com informações da Dow Jones Newswires e da Market News International)

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