Irlanda pressiona UE a adotar restrições à carne brasileira

Cresce a pressão na Europa por restrições contra a carne bovina do Brasil. Nesta semana, veterinários do governo da Irlanda chegaram à conclusão de que o produto nacional não atende às exigências fitossanitárias da Europa e vão sugerir à União Européia(UE) que as autoridades do continente tome medidas contra as carnes brasileiras. Caso a UE não tome providências, os fazendeiros irlandeses prometem ir à Corte Européia para pedir a adoção de barreiras contra o Brasil. As autoridades européias estão avaliando a política de controle fitossanitário do Brasil e afirmam estar consciente da pressão irlandesa e de outras cooperativas regionais que também pedem medidas protecionistas. Até o final deste mês devem indicar a Brasília o que ainda deve ser modificado no controle de resíduos para que os produtos nacionais não sofram embargos. Bruxelas, porém, já indicou que a possibilidade de impor restrições existe. Na Irlanda, um dos países produtores de carne da Europa e que sofre com a concorrência brasileira, qualquer problema sanitário no País é motivo para que o setor privado tente criar barreiras. Desta vez, porém, o próprio governo local admite que chegou à mesma conclusão dos produtores de que as importações devem ser suspensas. A ministra da Agricultura da Irlanda, Mary Coughlan, declarou que seus funcionários chegaram à conclusão de que a carne brasileira não segue os padrões europeus. A informação era tudo o que os frigoríficos irlandeses precisavam para aumentar a pressão por um embargo contra o Brasil em todos os 25 países do bloco. Para o setor privado, não é justo que a UE cobre da Irlanda um padrão mínimo para exportar para os demais países do bloco europeu, enquanto permitiria que a carne brasileira continue entrando em condições consideradas no país como "inadequadas".Já em Belfast, fazendeiros organizaram na última quinta-feira um protesto em frente à prefeitura para pedir ao governo que adote uma medida contra a carne brasileira. O protesto ocorre na forma de um gigante churrasco, mas sem carne do Brasil. Segundo a Associação Nacional dos Fazendeiros da Irlanda, a situação relativa à febre aftosa no Brasil está "fora de controle" em algumas regiões como na fronteira com o Paraguai. Para os lobbistas, a importação de carne brasileira para o mercado europeu "é um risco desnecessário para a saúde da população".

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