Vincent Hoban
Vincent Hoban

Irlandês lança ‘Airbnb de idosos’

A ideia surgiu depois de ver como seu pai, de 70 anos, se sentia bem recebendo hóspedes da mesma faixa-etária

Entrevista com

Peter Mangan, criador do Freebird Club

Laura Maia, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2016 | 05h00

O irlandês Peter Mangan vai lançar nas próximas semanas uma plataforma que funciona como uma espécie de Airbnb só para quem tem mais de 50 anos. No “Freebird Club”, a ideia é que os viajantes compartilhem não só acomodações, mas principalmente companhia em uma altura da vida em que as pessoas costumam ficar mais isoladas socialmente. 

Como surgiu a ideia da plataforma?

Eu moro em Dublin (capital da Irlanda), mas tenho uma casa no campo, onde eu cresci, que eu alugava pelo Airbnb. Meu pai, viúvo, aos 70 anos, era quem ficava com esses hóspedes. De repente, vi o quanto ele começou a se dar bem quando os viajantes eram mais velhos. Logo saía para tomar alguma coisa nos pubs da região, para jantar. Eles tinham muito em comum e foi daí que surgiu a ideia de adaptar o modelo do Airbnb e ir além, focando nessas pessoas mais velhas.

Qual a principal diferença em relação ao modelo do Airbnb?

A plataforma funciona primeiramente como um clube no qual só viajantes acima de 50 anos podem se cadastrar e há uma taxa de adesão, de  €20 a €25. Além disso, no nosso modelo, quem se cadastrar como anfitrião só pode oferecer quartos para aluguel e não a casa toda como é permitido no Airbnb. Isso porque o objetivo da plataforma é que essas pessoas convivam. Elas não selecionam só um lugar legal para ficar, mas a pessoa com a qual vão dividir esse tempo.

A idade dos usuários traz algum desafio novo para a plataforma?Temos um time que pensa na acessibilidade do site. Para que a navegação seja simples, mas ao mesmo tempo interessante. Além disso, para que as pessoas sintam confiança na plataforma, exigiremos na adesão do clube cópia de passaportes, além de checar todos os dados do anfitrião. 

Vocês já receberam algum investimento?

Estamos em busca deles. Por enquanto, tocamos o projeto com os €75 mil que recebemos de prêmios (inclusive o da Comissão Europeia de Inovação Social).

Vocês vão atuar só na Europa ou pensam em expandir? 

O interesse pelo site tem sido bastante grande nos Estados Unidos e na Europa, mas recebemos cadastros também de pessoas da América do Sul, e até do Brasil. Inicialmente, queríamos começar aqui pela região do Reino Unido e da Irlanda, mas acho que teremos rapidamente uma atuação global, depende dos investimentos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.