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Irmãos Batista voltam ao comando do grupo da JBS

MPF e empresa fecharam acordo de R$ 1,5 bilhão para que executivos fossem liberados; recursos serão dados como garantia em juízo até 21 de outubro.

Josette Goulart e Alexa Salomão, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2016 | 19h51
Atualizado 13 Setembro 2016 | 23h01

Os irmãos Wesley e Joesley Batista retomaram nesta terça-feira, 13, o comando das empresas do grupo J&F, dono da JBS e da marca Friboi. Os executivos firmaram um acordo com o Ministério Público Federal e têm até o dia 21 de outubro para depositar em juízo R$ 1,5 bilhão. Os recursos serão usados como garantia até o fim do processo judicial que apura suspeitas de irregularidades nos investimentos feitos por fundos de pensão na empresa Eldorado Celulose, que pertence ao grupo.

Os dois executivos tinham sido afastados pela Justiça de suas funções há pouco mais de uma semana, no dia 5 de setembro. Ambos foram alvo da Operação Greenfield, que apura irregularidades em fundos de pensão. Eles faziam parte de uma lista de 40 pessoas que estão sendo investigadas.

No que diz respeito à Eldorado, de acordo com relatório do Ministério Público Federal que embasou a Greenfield, os fundos de pensão Petros e Funcef teriam investido R$ 550 milhões na empresa mediante laudos superavaliados que, dessa forma, causaram prejuízos às fundações dos funcionários da Petrobrás e da Caixa. O depósito de R$ 1,5 bilhão serve de garantia para ressarcir os fundos caso fiquem comprovadas as irregularidades.

O atual presidente da Eldorado, José Grubisich, também fez parte do acordo assinado com o MPF. O executivo não foi impedido de exercer a função na empresa, mas teve seus bens bloqueados na semana passada. Além de presidente, Grubisich é sócio da Eldorado por meio fundo Olímpia, que detém pouco menos de 2% das ações da empresa.

Pelos termos firmados com o Ministério Público, Joesley, Wesley e Grubisich terão de ficar à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos, além de apresentarem um seguro-garantia ou títulos públicos no valor R$ 1,5 bilhão.

Apesar de o acordo estar no nome dos executivos, a empresa informou que a própria J&F irá contratar um seguro-garantia para o depósito em juízo.

Com o acordo, o empresário José Batista Sobrinho Júnior, o irmão mais velho de Wesley e Joesley, encerra um retorno relâmpago à empresa. Júnior havia assumido, na manhã de terça, o comando da JBS e do grupo J&F.

A solução caseira parece ter agradado ao mercado. As ações da JBS fecharam com alta de 1,4% na BM&FBovespa. Porém, Joesley reassumiu o comando da J&F e Wesley, o da JBS, ainda na noite de terça.

Justiça. O retorno dos empresários, porém, não coloca um ponto final nos problemas da companhia. Correm hoje na Justiça investigações que envolvem os membros da família Batista e as empresas do grupo em pelo menos quatro operações da Polícia Federal, desencadeadas nos últimos dois anos.

Além da Greenfield, a empresa Eldorado e a residência de Joesley foram alvos de busca e apreensão na Operação Lava Jato, a partir de uma delação premiada que apontava irregularidades na contratação de empréstimos do FI-FGTS.

Em outro caso, envolvendo o banco Rural, Joesley é réu em um processo criminal com acusação de ter feito empréstimos ilegais entre instituições financeiras. Já Wesley também apareceu nas investigações da Operação Ararath, deflagrada em 2013 em Mato Grosso, que investigou lavagem de dinheiro e corrupção.

As investigações mais recentes estão concentradas na Eldorado, mas começaram a contaminar os demais negócios. “Tudo fica sob suspeita e todo mundo começa a olhar tudo”, diz um executivo que conhece da empresa por dentro.

Nesta semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) confirmou que está averiguando as condições do empréstimo de R$ 2,7 bilhões concedido pela Caixa à J&F para a compra da empresa Alpargatas, que pertencia à Camargo Corrêa. A aquisição foi 100% financiada pela Caixa. Onte,m as ações da Alpargatas fecharam em queda de 2%. 

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