Irritado, Bernardo diz que não há sobra de caixa no governo

Ministro do Planejamento comenta excedente de arrecadação de R$ 11,8 bi divulgado em relatório na terça

Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado,

21 de maio de 2008 | 09h23

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, rechaçou nesta quarta-feira, 21, a avaliação de que o excesso de arrecadação projetado no relatório de programação financeira, divulgado na última terça pelo Ministério do Planejamento, trata-se de uma folga de caixa. Paulo Bernardo chegou a ficar irritado com os repórteres que usaram essa expressão. "Eu não disse que tem folga de caixa. Eu duvido que o relatório tenha essa expressão. O senhor não leu", disse Bernardo ao repórter. "O senhor deve ter lido essa informação no jornal. No relatório, não tem essa expressão."   Veja também: Entenda o que é fundo soberano Planejamento confirma receita excedente de R$ 11,8 bi no ano   Na terça-feira, 20, o Ministério do Planejamento divulgou relatório enviado ao Congresso no qual informa que terá R$ 11,8 bilhões a mais de receita em 2008 do que o previsto na última estimativa oficial divulgada em abril. Em tese, esse excedente de arrecadação poderá ser usado pelo governo para compor o Fundo Soberano do Brasil, conforme anunciado na semana passada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.   Oficialmente, entretanto, o mesmo relatório que reconhece a ampliação das receitas também destina o excedente para cobrir novas despesas de pessoal (R$ 7,6 bilhões), para ampliar o ressarcimento aos Estados exportadores (R$ 1,3 bilhão) e para ampliar o limite de gastos de custeio e investimento (R$ 4,55 bilhões).   Segundo o ministro, o relatório mostra projeções do que o governo acha que vai ocorrer no ano de receitas e despesas. Bernardo cobrou do Congresso nacional responsabilidade na votação do projeto que regulamenta a chamada Emenda 29, que prevê mais recursos para a área da saúde. "Nós temos muita confiança de que o Congresso é responsável e não vai votar um projeto insustentável e irresponsável."   O ministro também comentou sobre a inflação no Brasil e disse que alta dos preços não fugiu ao controle. A uma pergunta se a inflação no País estaria descontrolada, o ministro respondeu, sorrindo: "Eu li hoje no Estadão que não está." Sobre inflação, a edição desta quarta do Estado publica reportagem informando que "o governo já trabalha com inflação acima da meta oficial de 4,5%", além de outra informando que o IGP-M teve uma alta de 1,54%, "a maior em mais de cinco anos" em maio.

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