Isenção não trará estrangeiros de imediato

Com a introdução da cobrança da CPMF, há cerca de três anos, boa parte dos negócios com ações de empresas de primeira linha, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), acabaram migrando para a Bolsa de Nova York. Os analistas estrangeiros não estão apostando em um aumento do fluxo de capital externo para a bolsa brasileira com a isenção da CPMF. Na avaliação do presidente da Bovespa, Alfredo Rizkallah, a isenção da CPMF para estrangeiros na Bolsa não fará com que os investimentos nas ações de empresas brasileiras em Nova York retornem por completo ao País. Segundo o estrategista-chefe para América Latina da Merrill Lynch, Ed Cabrera, foi uma medida positiva, mas terá um efeito limitado no curto prazo em termos de volume de negócios no mercado brasileiro. "O investidor decide colocar dinheiro na bolsa brasileira em razão do potencial da economia do País, a isenção da CPMF ajuda no sentido de melhorar a taxa de retorno desse investidor estrangeiro nas aplicações em bolsa brasileira, porém os fundamentos falam mais alto". Outro fator importante da medida anunciada ontem, segundo Cabrera, é uma indicação de que o Brasil está se nivelando com os outros países da região em termos de taxação do capital externo em Bolsa. "E essa equiparação no nível de impostos sobre ações é muito encorajadora para o investidor estrangeiro; o governo está mandando os sinais corretos para que os investidores estrangeiros se envolvam mais no mercado de capitais local", disse o analista. Embora tenha um impacto positivo na taxa de retorno, reduzindo o custo das transações, a isenção da CPMF por si só não deverá atrair um volume significativo de capitais estrangeiros. "A volta dos investidores estrangeiros com maior força só acontecerá quando houver um cenário de maior tranqüilidade na Nasdaq e no mercado de capitais americano", explicou Cabrera.

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