Israelense Kaltura recebe aporte e chega ao País

Dona de uma plataforma de vídeo para empresas recebe investimento de US$ 47 milhões e anuncia expansão a outros países

Nayara Fraga, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2014 | 02h10

Oito anos atrás, o israelense e ex-piloto de helicóptero Ron Yekutiel se juntou a três colegas - entre eles Eran Etam, o cofundador do antigo serviço de mensagens instantâneas ICQ - para criar uma plataforma de vídeo colaborativo chamada Kaltura. A empresa chegou a funcionar integrada à Wikipédia: assim como textos, os usuários podiam editar em conjunto conteúdo audiovisual. Mas acabou mudando o foco ao descobrir o potencial do mercado corporativo - carente de plataformas de vídeos.

Com a reviravolta no modelo de negócio, os israelenses conseguiram recuperar o dinheiro que aplicaram na empresa e atrair novos investidores.

Fundos americanos aplicaram, ao longo dos anos, US$ 70 milhões no negócio, que conquistou clientes de peso como Disney, Warner, Stanford e Princeton University. Agora, junto com um novo aporte de US$ 47 milhões feito por nove instituições (entre elas a brasileira Gera Venture), a empresa anuncia a chegada ao Brasil, com abertura de escritório em São Paulo. Será a quinta unidade da Kaltura no mundo - a sede fica em Nova York, o centro de desenvolvimento está em Israel e há escritórios em Londres e São Francisco, na Califórnia.

"Estamos esperando uma contribuição considerável da América Latina, principalmente do Brasil", diz Ron Yekutiel, presidente da empresa. A participação de 5% da América Latina no faturamento total da companhia deve, segundo ele, ir para 15% em três anos. Parte da nova injeção de capital será aproveitada também na expansão para o México e para países da região Ásia-Pacífico.

Segundo Yekutiel, a internacionalização é uma trajetória natural para os fundadores da Kaltura, já que todos eles moraram muito tempo fora de Israel. Ele mesmo conhece bem o Brasil. Já namorou uma carioca.

Aplicação. A plataforma da empresa é usada por instituições que desejam gerenciar e publicar vídeos online, numa espécie de "Youtube corporativo". É o caso da Universidade Positivo no Brasil, cujas aulas do ensino à distância já são transmitidas com a tecnologia da Kaltura (marca que em momento algum aparece ao consumidor final). Até março deste ano, a plataforma será usada nas "flipped classsrooms" (salas invertidas, em inglês). "O aluno vê a parte teórica por vídeo em casa e, quando vai para a sala de aula, ele vai para a prática", diz Carlos Longo, diretor da Universidade Positivo Online.

Quem vai comandar a operação da Kaltura no Brasil é Lars Janér, antes diretor de operações na aceleradora de startups Bonera. Ele ficará por conta também das vendas para Argentina, Chile e Uruguai. "No setor de educação superior é onde está a maior oportunidade", diz Janér.

O número de estudantes de ensino à distância no País deve saltar de 1,1 milhão, em 2012, para 2,5 milhões nos próximos três anos, segundo estimativas da consultoria Hoper, especializada no setor de educação.

Mas a Kaltura não está sozinha neste mercado. Entre as mais conhecidas estão a Brightcove, que está listada na Nasdaq, e a Ooyala. No País, há a mineira Sambatech, que diz ser a líder do setor na América Latina. "Todos esses players tentam vir para o Brasil, mas esbarram na dificuldade de ambientação ao mercado, que é bem diferente (do americano ou europeu)", diz Gustavo Caetano, presidente da Sambatech. "A concorrência é bem-vinda."

Um dos principais desafios para todas as empresas dessa área é convencer o cliente de que, em vez de desenvolver uma plataforma de vídeo em casa, a terceirização é o melhor caminho. Um dos principais sites de cursos online do Brasil, o Veduca, por exemplo, mantém uma infraestrutura própria, criada com base no YouTube e em serviços de armazenamento em nuvem. A empresa diz ainda não ter visto vantagem financeira na troca da tecnologia.

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